Início / alexandre de moraes

CPI do Crime Organizado convoca Campos Neto e Paulo Guedes no caso Master

O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) conseguiu aprovar, na CPI do Crime Organizado, a convocação do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, ampliando o foco da comissão sobre a conexão entre sistema financeiro e crime organizado.

A deliberação ocorreu nesta quarta-feira (25), com um pacote amplo de requerimentos, incluindo convites a autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) e quebras de sigilo ligadas ao caso Banco Master.

A CPI também aprovou a convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para explicar suspeitas que envolvem o banco e referências a facções, segundo a decisão no Senado.

No mesmo bloco, os senadores aprovaram convites, e não convocações, aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, ambos do STF, além de medidas para aprofundar o rastreio de operações.

Entre elas, avançou a quebra de sigilo da Maridt Participações S.A., associada a familiares do ministro Toffoli, no recorte temporal citado em reportagens sobre a CPI.

A comissão ainda rejeitou, em votação nominal, o pedido de convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora ligada ao escritório do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), requerimento apresentado pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).

A movimentação escancara dois recados políticos. O primeiro é institucional: CPI não é tribunal, mas quando convoca ex-chefes da política econômica e do Banco Central, sinaliza que quer colocar o “andar de cima” sob holofote. O segundo é de bastidor: a comissão virou arena de disputa, onde governistas e oposição tentam carimbar culpados e blindar aliados no caso Master.

Roberto Campos Neto presidiu o Banco Central entre 2019 e 2024, enquanto Paulo Guedes chefiou o Ministério da Economia entre 2019 e 2022, ambos surgidos da costela do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a exemplo de Eva, que segundo o relato bíblico surgiu da costela de Adão, numa metáfora para dizer que foram “crias” políticas do bolsonarismo.

No final das contas, a CPI aposta no barulho das convocações para produzir fatos, mas o que vai separar manchete de resultado é a capacidade de transformar requerimentos em provas e responsabilidades.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: Pessuti avisa Requião em convescote que Gilmar restabeleceu aposentadoria no STF; Lula puxa STF contra bomba fiscal do Senado; Base de Lula leva caso Master ao Congresso dos EUA contra Bolsonaros