O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) terá que mostrar na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), na terça-feira (5 de maio), quantas metas a Prefeitura cumpriu no Plano Plurianual (PPA) de 2022 a 2025. A prestação de contas será feita pelo Instituto Municipal de Administração Pública (Imap) e pode virar teste político da gestão antes da eleição estadual de 2026.
O PPA é o plano de quatro anos que coloca no papel as prioridades da Prefeitura, com programas, indicadores e metas. Em linguagem simples, é a lista oficial de promessas que a gestão assumiu cumprir com dinheiro público.
A audiência foi aprovada pelos vereadores em 14 de abril, por requerimento da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização. A sessão de terça-feira será dedicada à demonstração dos resultados do PPA 2022-2025, sem esconder o ponto central: a Prefeitura terá que dizer o que entregou e o que ficou para trás.
A própria Câmara já deu a régua da cobrança. Em maio de 2025, a presidente do Imap, Beatriz Battistella Nadas, afirmou que a meta da gestão era fechar o ciclo com mais de 90% das metas atingidas. Naquele momento, a Prefeitura contabilizava 90% de execução dos produtos e ainda tinha 64 produtos em andamento.
O dado transforma a audiência em um confronto entre promessa e entrega. Se o índice final vier abaixo do prometido, a oposição terá munição para atacar a gestão. Se vier alto, Pimentel tentará vender eficiência administrativa em uma cidade usada pelo grupo de Ratinho Junior (PSD) como vitrine no Paraná.
O PPA de 2022 a 2025 tem 161 páginas e foi organizado em três eixos: solidariedade, responsabilidade e sustentabilidade. A divisão inclui áreas como saúde, educação, segurança, habitação, assistência social, cultura, transporte, trânsito, transparência e gestão pública.
A fotografia de 2025 mostrava avanços desiguais. O programa Viva Curitiba Saudável aparecia com 100% das metas atendidas, enquanto Viva Curitiba Mais Ágil tinha 56% das metas atendidas. O programa Viva Uma Nova Curitiba registrava 69% das metas atendidas.
Esses números importam porque tiram a discussão do campo da propaganda. A Prefeitura poderá mostrar obras, serviços e indicadores, mas a Câmara tem a obrigação de separar peça publicitária de cumprimento real de meta.
O componente eleitoral é inevitável. Pimentel apareceu em março de 2026 como alternativa do grupo de Ratinho Junior para a disputa pelo governo do Paraná, embora tenha dito estar focado em Curitiba e negado conversa sobre candidatura ao Palácio Iguaçu.
A prestação de contas chega, portanto, em hora incômoda para o grupo governista. Ratinho tenta organizar a sucessão estadual, enquanto Pimentel precisa provar que tem gestão própria, não apenas herança política de Rafael Greca e apoio do Palácio Iguaçu.
A audiência será coordenada pela Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização, presidida por Serginho do Posto (PSD), líder do prefeito na Câmara. A CMC informou que haverá transmissão ao vivo pelo canal da Casa no YouTube.
O ponto de pressão para os vereadores é simples: comparar a promessa feita em 2025 com o resultado final apresentado em 2026. Se faltarem metas, a pergunta será onde a Prefeitura falhou. Se sobrarem percentuais vistosos, a pergunta será quais entregas chegaram de fato à vida do curitibano.
Curitiba não vai discutir apenas uma planilha. Vai medir se a gestão Pimentel consegue transformar planejamento em entrega verificável antes de 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




