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Deportações explodem nos EUA e Brasil precisa de mais imigrantes

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Enquanto Donald Trump transforma os Estados Unidos na maior máquina de deportação do planeta, o Brasil encara o caminho oposto — e precisa, mais do que nunca, acolher quem chega de fora.

Dados revelados pelo Projeto de Dados de Deportação da Universidade da Califórnia mostram que as prisões por imigração dispararam em todos os estados americanos desde que Trump reassumiu o comando da Casa Branca. Em muitos lugares, a fiscalização mais que triplicou. Estados como Idaho, Arkansas e Flórida registram aumentos de mais de 200%, escancarando o endurecimento da política anti-imigratória.

O objetivo, segundo assessores da Casa Branca, é explícito: deportar milhões de imigrantes e reduzir drasticamente a presença estrangeira nos EUA. As metas são ambiciosas — e sombrias. Stephen Miller, braço direito de Trump, já deixou claro que espera ver o ICE realizar pelo menos 3 mil prisões por dia. Na prática, isso coloca o país no mesmo patamar — ou até mais fechado — do que regimes como o da Coreia do Norte.

Brasil envelhece e precisa de quem chega

Mulher idosa
População brasileira tende a cair até 2050. Foto: Paulo Pinto/Fotospublicas.

Se de um lado Trump fecha portas, o Brasil enfrenta um cenário que exige o oposto: mais imigração.

Dados do Censo 2022 do IBGE revelam que a população de imigrantes no Brasil voltou a crescer, rompendo uma tendência de queda que se arrastava desde 1960. O número de estrangeiros no país saltou de 592 mil em 2010 para 1 milhão em 2022 — um aumento de 70%.

O principal motor desse fluxo são os vizinhos latino-americanos, especialmente os venezuelanos, que representam 272 mil desses imigrantes. A presença latino-americana cresceu tanto que já responde por 72% da população estrangeira residente no Brasil.

E o motivo dessa abertura vai além da solidariedade. É uma necessidade concreta.

O Brasil vive um acelerado processo de envelhecimento populacional e queda na fecundidade. Em 1960, cada mulher brasileira tinha em média 6,28 filhos. Em 2022, essa taxa despencou para 1,55 — muito abaixo do nível necessário para manter a população estável.

Além disso, cresceu o percentual de mulheres que encerram a vida reprodutiva sem ter filhos: de 10% em 2000 para 16,1% em 2022. Essa combinação de fatores, somada ao êxodo de jovens de regiões como o Nordeste, acende um alerta: sem imigração, o Brasil perderá dinamismo, mão de obra e capacidade produtiva.

Se o Brasil insistir em fechar as portas para imigrantes e a taxa de fecundidade continuar em queda livre, o país chegará a 2050 menor, mais velho e economicamente fragilizado.

Projeções demográficas apontam que, sem o reforço da imigração, a população brasileira pode começar a encolher já na próxima década, atingindo algo em torno de 210 milhões de habitantes em 2050 — menos do que os 215 milhões atuais. A estrutura social será marcada por um número recorde de idosos e um colapso progressivo da população economicamente ativa, o que compromete diretamente a capacidade de financiar a Previdência, os serviços públicos e a economia como um todo.

Países que ignoraram esse alerta, como Japão, Itália e Coreia do Sul, enfrentam hoje crises profundas de mão de obra e declínio econômico. O Brasil ainda tem a chance — e o dever — de fazer diferente.

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Imigração é pilar de um projeto de nação soberana

Mais do que uma escolha humanitária, o acolhimento de imigrantes no Brasil é uma questão estratégica de soberania nacional.

O rápido envelhecimento da população brasileira exigirá, nas próximas décadas, uma reposição urgente de força de trabalho e, principalmente, de contribuintes para sustentar a Previdência Social. Sem jovens e sem trabalhadores ativos, o sistema previdenciário entra em colapso — e com ele, toda a estrutura de seguridade social do país.

O movimento migratório, portanto, não deve ser encarado como ameaça, mas como parte essencial de um projeto de nação soberana, justa e economicamente viável. Países que se fecharam ao fluxo de pessoas pagaram caro em termos de estagnação econômica, crise fiscal e declínio social.

O Brasil, se quiser ser competitivo e garantir dignidade às próximas gerações, precisa fazer o oposto: acolher, integrar e valorizar quem escolhe recomeçar a vida em nosso território.

Em tempos de muros e deportações no Norte, o Brasil tem a chance — e a necessidade — de abrir portas. Não apenas por solidariedade, mas por inteligência.