O governo do presidente Lula (PT) condenou os ataques e disse ver “grave preocupação” com a ação militar em meio a negociações, cobrando contenção e respeito ao direito internacional.
A ministra Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, classificou a ofensiva como ameaça à paz e à estabilidade e citou a posição do Itamaraty, alinhando o discurso interno do governo ao tom diplomático.
Em nota oficial, o governo brasileiro condenou e expressou grave preocupação com os ataques realizados hoje por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Segundo o documento, os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região.
“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, pede a nota do Itamaraty.
O presidente Donald Trump confirmou na manhã deste sábado uma ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos com Israel contra o Irã, e Teerã respondeu com ataques a bases americanas no Golfo e com novas salvas de mísseis na direção de Israel, num salto de risco que recoloca na mesa a hipótese de “mudança de regime” defendida pela Casa Branca.
Os relatos mais sensíveis do noticiário internacional indicam a morte do ministro da Defesa iraniano, Amir Nasirzadeh, e do comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, ainda sem confirmação oficial pública por Teerã, mas citados por fontes e avaliações de inteligência consultadas por agências e veículos americanos.
Trump apareceu em vídeos e declarações pedindo que militares iranianos “deponham as armas”, ao mesmo tempo em que estimulou civis a “assumirem o controle do governo”, linguagem rara, porque desloca o foco do programa nuclear para a engenharia política de troca de poder.
Do lado israelense, as Forças de Defesa de Israel afirmaram ter conduzido um ataque de grande escala contra sistemas de mísseis e defesa aérea, com centenas de munições lançadas contra centenas de alvos, argumento usado para justificar “liberdade de operação” no espaço aéreo iraniano.
As atualizações de campo apontam que a retaliação incluiu ataques a instalações americanas e a países do Golfo que abrigam presença militar dos EUA, como Bahrein e Catar, e que houve avaliação de danos em estruturas ligadas à 5ª Frota no Bahrein após impactos reportados.
No fronte interno dos EUA, o conflito reabriu o debate constitucional sobre poderes de guerra, com parlamentares defendendo votação para limitar novas ações sem autorização do Congresso.
Relatos iranianos mencionam vítimas civis, inclusive uma escola no sul do país, e o Comando Central dos EUA (CENTCOM) disse estar apurando denúncias de danos a civis, afirmando que “não tem como alvo civis”.
Leia também no Blog do Esmael: Defesa vira desafio da política externa do Brasil, diz assessor de Lula; Planalto acusa família Bolsonaro de pedir intervenção americana; Encontro com Trump vira ativo externo de Lula

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




