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Bolsonaro deixa UTI, mas internação segue rendendo disputa política

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou a Unidade de Terapia Intensiva nesta segunda-feira (16) e foi transferido para uma unidade semi-intensiva no Hospital DF Star, em Brasília, após melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 horas. O boletim aponta recuperação da função renal, melhora parcial dos marcadores inflamatórios e resposta favorável ao tratamento com antibióticos, embora ele siga sem previsão de alta.

A mudança de ala mexe com a manchete da noite porque altera o enquadramento do caso. Até aqui, predominava a leitura de agravamento e incerteza imediata. Agora, entra em cena a de recuperação parcial, ainda longe de significar alta ou resolução do quadro. Bolsonaro continua em tratamento para broncopneumonia bacteriana bilateral, com suporte clínico e fisioterapia respiratória e motora.

No plano político, porém, a transferência para a semi-intensiva não encerra a guerra de narrativa. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já havia informado que a defesa aguardava um novo laudo médico para apresentar outro pedido de prisão domiciliar humanitária ao Supremo. A internação vinha sendo tratada pelos aliados como “fato novo” capaz de reforçar esse movimento jurídico.

A ida para a semi-intensiva reduz a força da ideia de colapso iminente, mas não desmonta o uso político da internação. O entorno bolsonarista continua mobilizando a base com mensagens de fé, apelos emocionais e pressão pública sobre o Judiciário. Em outras palavras, o boletim melhora, mas a exploração política do quadro permanece viva.

Também é preciso separar as coisas com rigor. Não há elemento factual, até aqui, para sustentar acusação de simulação ou fabricação de doença. O que existe, objetivamente, é uma internação real, acompanhada de um esforço político igualmente real para transformar fragilidade clínica em ativo jurídico e combustível de mobilização.

O fato novo desta noite, portanto, é claro: Bolsonaro saiu da UTI. Só que a crise não saiu da política. A melhora clínica parcial dá fôlego ao ex-presidente, mas mantém aberta a disputa sobre vitimização, domiciliar e reorganização da base bolsonarista em torno de sua imagem.

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