Índice de Tópicos
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu orientação ao advogado Martin De Luca, ligado a Donald Trump, sobre o que postar nas redes sociais, em um movimento que a Polícia Federal interpreta como tentativa de alinhar interesses externos para influenciar a ação penal do golpe de Estado.
Áudio revela gratidão e alinhamento a Trump
No áudio obtido pela PF, Bolsonaro afirma ter escrito um texto elogiando Trump e pede ao advogado que o guie sobre como publicar.
O ex-presidente fala em “gratidão” e diz que a questão da liberdade estaria “acima da questão econômica”.
Para os investigadores, o pedido indica subordinação de interesses nacionais a estratégias do governo americano, usado como instrumento de pressão contra o STF.
Defesa vê ponto delicado e risco de denúncia
Aliados de Bolsonaro admitem que o trecho é um dos mais delicados do relatório. A avaliação é que o áudio reforça a tese de que o ex-presidente atuou em coordenação com apoiadores de Trump para abalar instituições brasileiras.
O documento da PF aponta que Jair e Eduardo Bolsonaro trabalharam de forma deliberada para intimidar ministros do Supremo e obstruir a Ação Penal 2668.
Atrito entre pai e filho expõe desgaste
As mensagens também expuseram fissuras na relação entre Jair e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Em julho, após uma entrevista em que o pai comentou sobre Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Eduardo reagiu com insultos: “VTNC seu ingrato do caralho!”.
Em outra conversa, o deputado deixou claro que a estratégia com Trump visava blindar o pai de uma condenação, não anistiar réus do 8 de janeiro.

Malafaia e a engrenagem digital do golpe
O relatório também cita o pastor Silas Malafaia como figura de apoio na produção de conteúdos digitais para atacar o Supremo.
Segundo a PF, Jair Bolsonaro desrespeitou medidas cautelares ao disparar mensagens combinadas com aliados, reforçando a tentativa de coação institucional.
Pedido de asilo a Milei reforça fuga planejada

Além do alinhamento com Trump, a PF localizou no celular de Bolsonaro um rascunho de pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei.
O documento, sem assinatura, foi elaborado em fevereiro de 2024 e alegava perseguição política.
Para os investigadores, a peça indica que o ex-presidente planejava deixar o país para escapar de uma condenação iminente.
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, deu 48 horas para Bolsonaro explicar a suposta tentativa de fuga do país.
Dito isso, o pedido de ajuda ao advogado de Trump e os atritos com Eduardo revelam um Bolsonaro fragilizado, sem rumo político e cada vez mais dependente de alianças externas para tentar escapar da Justiça.
A tentativa de internacionalizar a narrativa da conspiração reforça a vulnerabilidade do ex-presidente diante do julgamento marcado para setembro.
Leia no Blog do Esmael.
Leia também no Blog do Esmael: Caiado testa palanque de Ratinho em encontro na ACP

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




