O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias (PT), disse nesta quarta-feira (27) que 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família desde 2023 após aumento de renda, dado usado pelo governo Lula para rebater o discurso de que o programa prende pobres na dependência.
A fala foi feita no programa “Bom Dia, Ministro”, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Segundo Dias, a saída dessas famílias alcança cerca de 15 milhões de pessoas e ocorreu porque parte dos beneficiários passou a trabalhar ou elevou a renda familiar.
O conflito político é direto. O governo tenta apresentar o Bolsa Família como porta de passagem para renda, emprego e consumo. A crítica ao programa insiste na tese do beneficiário permanente, um argumento que voltou ao debate público após declarações recentes do apresentador Luciano Huck, contestadas pelo ministro.
A resposta de Dias não é apenas retórica. O Bolsa Família tem a chamada Regra de Proteção, mecanismo que permite à família continuar recebendo 50% do benefício por até 12 meses quando a renda por pessoa passa de R$ 218, mas não ultrapassa R$ 706.
Em maio, o programa atende mais de 19,08 milhões de famílias em todos os 5.571 municípios do país, com alcance de 49,57 milhões de pessoas. O investimento federal no mês é de R$ 12,9 bilhões, com benefício médio de R$ 678,01 por domicílio.
O dado que pesa contra a tese do “benefício eterno” é a transição de renda. Em maio, 159.248 novas famílias entraram na Regra de Proteção. Ao todo, 2,26 milhões de famílias estão nessa faixa intermediária, entre a pobreza extrema e a saída definitiva do programa.
Dias também citou empreendedorismo e emprego entre pessoas do Cadastro Único. O ministro afirmou que 5,9 milhões de inscritos atuam como pequenos empreendedores e que cerca de 1,3 milhão de trabalhadores estão empregados por pessoas que já foram beneficiárias do Bolsa Família.
No Paraná, o programa chega a 560.810 famílias em maio, nos 399 municípios do estado. O repasse federal passa de R$ 375,22 milhões, com benefício médio de R$ 672,70. É dinheiro que entra no mercado local, no supermercado, na farmácia, no gás, no transporte e no pequeno comércio.
Curitiba concentra o maior número de famílias atendidas no Paraná, com 57.515 beneficiárias. Depois aparecem Londrina, com 26.732, Foz do Iguaçu, com 20.031, Ponta Grossa, com 17.759, e São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, com 15.706.
A divulgação regionalizada de maio informa beneficiários, valores e municípios, mas não apresenta quantas famílias paranaenses saíram do Bolsa Família desde 2023 por aumento de renda. Esse é o recorte que precisa ser cobrado do Ministério do Desenvolvimento Social para medir a mobilidade real no Paraná.
A disputa de 2026 passa por essa conta. Lula tenta transformar política social em prova de ascensão, enquanto adversários tratam o programa como dependência. O número de famílias que saiu após aumento de renda desloca o debate: a pergunta deixa de ser se o pobre quer trabalhar e passa a ser se o Estado garante travessia segura entre fome, bico, carteira assinada e pequeno negócio.
No Paraná, onde o debate eleitoral costuma misturar pedágio, tarifa, emprego e custo de vida, o Bolsa Família aparece como renda concreta em mais de meio milhão de lares. Quem trata esse dinheiro como favor ignora a conta da feira. Quem vende o programa como solução total precisa mostrar saída, emprego e renda por município.
O dado nacional fortalece Lula, mas a prova local ainda falta. O Paraná precisa saber quantas famílias saíram do programa, em quais cidades e por qual renda.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




