O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou o centro de uma guerra política no Carnaval, com a oposição tentando levar a Sapucaí para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesta segunda-feira (16), adversários acusaram Lula de campanha antecipada, enquanto o Planalto mediu cada gesto para não entregar munição jurídica.
A disputa não foi sobre samba, foi sobre enquadramento. De um lado, aliados tentaram vender o desfile como celebração da cultura popular e do Rio como vitrine global. Do outro, oposicionistas trabalharam a narrativa de propaganda disfarçada e uso político de palco financiado.
No centro do ruído, a primeira-dama Janja, que recuou do desfile. A desistência foi lida como contenção jurídica e política, num ambiente em que qualquer imagem vira “print” e qualquer legenda pode virar peça de representação.
A direita bolsonarista empurrou o conflito para o campo moral. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e setores da bancada evangélica reagiram à alegoria e buscaram colar na homenagem um ataque a valores de religião e “família”, uma linha que costuma mobilizar base, produzir barulho nas redes e pressionar a pauta no Congresso.
O TSE, por sua vez, negou barrar previamente a homenagem e reforçou uma baliza institucional: impedir desfile antes de acontecer seria censura prévia e punição sobre fato futuro. Isso não significa salvo-conduto, significa apenas que a Justiça Eleitoral não vai fechar a avenida antes do desfile, mas pode analisar excessos depois, se houver elementos concretos de propaganda irregular ou abuso.
O Planalto entendeu o risco. Por isso o cuidado extra, menos euforia eleitoral, mais registro institucional e cultural, como aparece nas postagens do próprio Lula sobre a noite na Sapucaí e a ênfase em turismo, emprego e renda.
No fim, o Carnaval virou um laboratório do que vem por aí. A eleição ainda não começou no calendário, mas começou na cabeça dos líderes, e o TSE virou árbitro de uma disputa que mistura cultura, religião, redes sociais e estratégia jurídica. Quando a política decide judicializar o samba, não é a Sapucaí que muda, é a temperatura da democracia que sobe.
Entre mortos e feridos, o PT saiu satisfeito do que aconteceu na Sapucaí. Lula foi ovacionado no sambódromo, enquanto a direita tenta reorganizar o discurso depois do samba-enredo e das alegorias que transformaram a homenagem em munição política.
“Uma noite inesquecível na Sapucaí… Quatro escolas e uma só emoção”, escreveu Lula nas redes. Na mesma postagem, o presidente disse que também passou pelos carnavais de Recife e de Salvador antes de ir ao Rio.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




