O juiz federal Eduardo Appio reagiu publicamente às ofensas do senador Sergio Moro (União-PR) e afirmou que irá processá-lo criminalmente por difamação. Em nota enviada à imprensa, Appio diz que as acusações feitas nas redes sociais atingem sua honra e sua família, que as ilações não têm respaldo administrativo. Ele ainda diz que sequer foi intimado para o processo administrativo.
A manifestação ocorre após Moro publicar texto no Instagram chamando Appio de “ladrão aloprado” e atribuindo a ele a intenção de “prejudicar a Lava Jato”. O ataque elevou o tom de um embate antigo entre o ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba e seu sucessor temporário no comando dos processos da operação.
Appio afirma que não há direito de resposta nas plataformas digitais e, por isso, optou por recorrer à imprensa. Ele sustenta que a agressividade verbal de Moro “não encontra precedentes na boa tradição do povo paranaense” e critica o desempenho do senador no mandato, ao afirmar que faltam projetos concretos para o Paraná.
Na nota, o magistrado ressalta que não é político, mas juiz federal e professor, com 31 anos de carreira no serviço público. Diz jamais ter cogitado deixar a magistratura e reafirma atuação “com absoluta imparcialidade e retidão profissional”. Para Appio, a imunidade parlamentar não pode servir de escudo para “difamadores contumazes”.
O juiz também volta a apontar críticas à condução da Lava Jato sob Moro, especialmente sobre o destino de recursos bilionários oriundos de multas e acordos de leniência. Segundo Appio, auditoria do Conselho Nacional de Justiça indicou que quase R$ 5 bilhões foram desviados de sua destinação legal, com previsão de envio aos Estados Unidos e retorno ao Brasil para criação de uma fundação privada em Curitiba. O tema ainda é objeto de análise judicial no STF.
Ao final, Appio afirma que as ofensas não apagarão esse histórico e garante que a agressão “não passará impune”. Seus advogados, diz, já preparam a ação penal contra o senador.
A seguir, a íntegra da nota assinada pelo juiz federal Eduardo Appio:
SERGIO MORO: Um difamador contumaz
Por Eduardo Appio
O exemplo que Cristo nos ensinou, recomenda dar a outra face quando somos agredidos, gratuitamente, em nossa vida privada.
Sergio Moro agrediu a mim e minha família sem necessidade.
Infelizmente não existe direito de resposta no Instagram e, bem por isto, recorro a imprensa e aos amigos que hoje me prestaram solidariedade.
A agressividade verbal de Sergio Moro não encontra precedentes na boa tradição do povo paranaense que o elegeu. Em respeito a seus eleitores e aos interesses maiores do estado do Paraná, que ele representa, não farei nenhuma crítica a sua notória incapacidade de ser um Senador de verdade. Se assim fosse, investiria seu tempo e energia em projetos concretos para o Paraná.
A sua atuação, durante estes três anos de mandato no Senado, tem sido, na melhor das hipóteses tímida.
Depois de destruir, por completo, a indústria nacional, gerando desemprego em massa no setor, conseguiu um bom emprego para si e também ajudou a eleger familiares.
A imunidade parlamentar não foi criada para incentivar difamadores contumazes.
Sergio Moro será processado criminalmente por meus advogados.
O exemplo cristão de dar a outra face, não se aplica ao debate público.
Ao contrário de Sergio Moro não sou político. Sou juiz federal e professor. Jamais cogitei deixar a Magistratura e o serviço público onde atuo há 31 anos com absoluta imparcialidade e retidão profissional.
A difamação, especialmente quando baseada em fake news e imagens fraudadas, é sintoma de um novo tempo. Trair amigos e companheiros de luta se converteu em verdadeiro mantra, desde que Sergio Moro saiu, atirando, do governo Bolsonaro.
O Senador Alvaro Dias seguramente não guarda as melhores lembranças de Russo.
Constantemente embriagado pelo poder e nem bem recuperado da grande ressaca que significou a VazaJato, agora investe na difamação digital, ao invés de trabalhar pelo Paraná.
Os quase 5 bilhões de reais desviados dos cofres públicos da 13ª Vara Federal de Curitiba, no passado geridos por Moro, foram devidamente auditados, a meu pedido, pelo E. CNJ que, na figura de seu então Corregedor Geral, Ministro Salomão, tanto fez pelo país.
Nos autos da ADPF 568 do Supremo Tribunal, relator Ministro Alexandre de Moraes, também pende análise judicial sobre o destino que seria dado a estes bilhões oriundos de multas e acordos de leniência com grandes construtoras do país.
Segundo o próprio CNJ, relatório aprovado em 2024, estes bilhões iriam para os Estados Unidos e, boa parte, retornaria a Curitiba para criação de uma fundação privada, Fundação Lava Jato.
O CNJ disse que os membros desta organização praticaram um sistema de “cash back”. São fatos, crimes em tese e auditorias que precisam ser apurados, até em respeito aos muitos eleitores de Sergio Moro, os quais defendem a nobre bandeira contra a corrupção.
Atacar, gratuitamente, minha honra, não apagará o rastro destes 5 bilhões desviados para os Estados Unidos de sua destinação legal, cofres do contribuinte brasileiro.
Estes valores não ajudaram a Petrobras. Muito pelo contrário, desacreditaram a maior empresa do Brasil na época, levando a pagar multas estratosféricas para o governo americano.
E os brasileiros, senhor Sergio Moro? Como ficam? E as centenas de milhares de bons empregos perdidos por conta de sua desastrada atuação como juiz federal na época. O STF corrigiu suas ilegalidades comprovadas pela VazaJato.
A sua má conduta como juiz dos processos, diversas vezes já julgada pelo E. STF, levou a dezenas de investigações anuladas.
Este contexto todo, comprovado, demonstra que o senhor Sergio Moro deixou, desde muito tempo, princípios morais de lado, para se converter em um político profissional e difamador contumaz.
A sua agressão gratuita não passará impune e Vossa Excelência será processado e, seguramente, condenado na área criminal.
Eduardo Appio é juiz federal no Paraná.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




