O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), entrou na reta final da janela partidária cercado pela pergunta que domina o Centro Cívico: vai disputar o Governo do Paraná com a bênção de Ratinho Junior ou atravessar a praça rumo ao Republicanos para lançar o próprio voo? Curi preside a ALEP e, como deputado estadual, pode trocar de legenda até sexta-feira (3), último dia da janela partidária.
O funil apertou nos últimos dias. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), resistiu à pressão para deixar o cargo e permaneceu na prefeitura, o que fechou, ao menos por agora, a alternativa que o Palácio Iguaçu testava para a sucessão. Antes disso, o Blog do Esmael havia mostrado que Pimentel passou a ser avaliado depois que Guto Silva perdeu força e Rafael Greca deixou o PSD para se filiar ao MDB.
Com Greca fora do PSD, Pimentel no cargo e Guto em baixa, aliados de Curi passaram a repetir uma conta simples: sobrou ao presidente da ALEP o lugar mais natural no campo governista. Esse movimento ganhou corpo no fim de semana com o manifesto de 215 prefeitos em favor de Curi, pressionando Ratinho a sair do titubeio e dizer, de uma vez, quem quer como herdeiro político no Palácio Iguaçu.
Mas o roteiro continua aberto. Segundo apuração recente do Blog, Curi sinalizou a interlocutores que tende a permanecer no PSD, embora tenha articulado a migração para o Republicanos durante a janela, justamente por recear ser atropelado por outra escolha do governador. Em fevereiro, ele próprio já admitia que aguardaria a conversa final com Ratinho antes de bater o martelo sobre sua permanência no partido.
É aqui que o Republicanos entra no centro da crise. Hoje, a sigla funciona menos como destino ideológico e mais como instrumento de pressão. Se Ratinho bancar Curi, o presidente da ALEP fica no PSD e sai ao governo com o peso da máquina, da base parlamentar e das prefeituras aliadas. Se o governador continuar adiando a decisão, a troca partidária preserva Curi como jogador viável e evita que ele acabe reduzido a figurante na própria sucessão. Essa é a leitura que se impõe a partir das movimentações já confirmadas.
No entanto, a continuidade do titubeio de Ratinho Júnior alimenta no meio político a suspeita de que sua demora joga a favor de Sergio Moro (PL), já que, até aqui, só o ex-juiz colhe dividendos da indefinição do governador sobre o herdeiro político do grupo.
Nos bastidores, outras fórmulas seguem circulando. Uma delas põe Rafael Greca (MDB) na cabeça da chapa e Curi na vice. Outra empurra Curi para o Senado. O próprio Blog do Esmael registrou, na sexta-feira (27), que uma composição com Greca ao governo e Curi na vice passou a circular entre aliados, sem anúncio oficial do Palácio Iguaçu. É sinal de que a sucessão virou mercado de apostas porque o comando político ainda não entregou uma decisão estável.
Mas também ganhou força nos bastidores a fórmula Curi-Greca, com o presidente da ALEP na cabeça de chapa e o ex-prefeito de Curitiba na vice. Nesse arranjo, uma vaga ao Senado seria destinada a Alvaro Dias (MDB) e a outra a Beto Preto (PSD).

O calendário ajuda a explicar a pressa e também o limite dessa pressa. A janela partidária se encerra nesta sexta-feira, mas a definição formal das candidaturas virá bem depois: as convenções partidárias ocorrerão de 20 de julho a 5 de agosto, e os pedidos de registro deverão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. Até lá, continuam possíveis desistências, composições e rearranjos.
A pergunta de um milhão de dólares, portanto, não é se Alexandre Curi quer disputar o governo do Paraná. Sinais de ambição ele já deu, e muitos. A dúvida real é outra: Ratinho Junior vai assumi-lo como candidato do grupo a tempo, ou vai empurrá-lo para um voo independente no Republicanos? Neste começo de abril, o relógio corre contra o governador, não contra Curi.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




