O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) praticamente fechou a porta para uma nova indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao afirmar nesta terça (5) que considera “pouco provável” Lula reenviar o mesmo nome ao Senado.
A fala, dada em entrevista à GloboNews e reproduzida por veículos de imprensa, desloca o governo para uma encruzilhada política. Depois da derrota de Messias no plenário, insistir no advogado-geral da União significaria testar novamente uma Casa que já impôs um limite claro ao Palácio do Planalto.
Na prática, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, venceu o primeiro round. O presidente do Senado não precisava anunciar vitória. O placar de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, registrado oficialmente em 29 de abril de 2026, fez esse serviço por ele.
Messias precisava de ao menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores para ser aprovado. Ficou sete votos abaixo do mínimo constitucional. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) havia aprovado o nome dele por 16 a 11, mas o plenário derrubou a indicação poucas horas depois.
A rejeição foi histórica. Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado barrou uma indicação presidencial ao STF. As rejeições anteriores ocorreram em 1894, no governo Floriano Peixoto, nos primeiros anos da República.
Alckmin lamentou a derrota de Messias e disse que o Supremo fica com um ministro a menos em um momento de sobrecarga. Mas, ao tratar de uma eventual reapresentação do nome, foi direto. Afirmou que não conversou com Lula sobre o tema, mas que acha pouco provável mandar Messias de novo.
O vice-presidente também evitou cravar a existência de um “acordão” contra o governo. Ainda assim, chamou atenção para a sequência política no Congresso: rejeição do indicado ao STF, votação da dosimetria e arquivamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. Alckmin disse não ter como provar acordo, mas classificou o conjunto como inadequado.
A leitura política é dura para Lula. O presidente indicou um nome de confiança, ligado ao núcleo jurídico do governo e titular da AGU, mas encontrou um Senado disposto a demonstrar autonomia e força. Alcolumbre, que defendia outro caminho para a vaga, saiu maior do episódio.
O ponto central agora não é apenas quem ocupará a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso. É quem controla o ritmo e o custo da próxima indicação. Lula tem a prerrogativa constitucional de escolher o nome. O Senado mostrou que tem votos para dizer não.
Messias, depois da derrota, não fez uma ofensiva pública contra os senadores. Ele agradeceu os votos recebidos e disse que a vida tem dias de vitória e dias de derrota. Até o fechamento desta matéria, não houve reação do AGU à fala posterior de Alckmin sobre a baixa chance de nova indicação.
A posição de Lula também segue sem anúncio formal de um novo indicado. Há sinais contraditórios entre aliados. O senador Weverton (PDT-MA), relator da indicação, disse à Rádio Senado que Lula não deveria enviar outro nome antes de outubro. Já o deputado Pedro Uczai (SC), líder do PT na Câmara, afirmou que a nova indicação deve sair ainda antes das eleições de 2026.
Nos bastidores publicados pela imprensa, nomes como Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado, e Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), voltaram a circular. Também aparecem menções a Vinícius Carvalho, ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), em listas anteriores sobre a vaga. Nenhum desses nomes foi confirmado oficialmente por Lula.
A eventual escolha de Pacheco teria leitura imediata: seria um gesto de acomodação com o Senado e, sobretudo, com Alcolumbre. Já uma indicação fora desse campo poderia ser apresentada pelo Planalto como reafirmação da autoridade presidencial, mas carregaria risco de nova derrota.
A fala de Alckmin, por isso, tem peso maior que uma avaliação protocolar. Ela funciona como aviso de realidade ao próprio governo. Messias foi derrotado, e a insistência nele transformaria uma derrota grave em desafio aberto ao Senado.
Alcolumbre sai do episódio com uma vitória no bolso. Lula, por sua vez, precisa decidir se preserva a prerrogativa presidencial com um nome de sua confiança ou se aceita que o Senado elevou o preço político da cadeira no Supremo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




