Um motorista morreu e outras duas pessoas ficaram feridas em uma batida envolvendo dois carros e uma carreta no Contorno Norte de Curitiba (PR-418), na tarde de quinta-feira (2). O acidente aconteceu na altura do km 5, por volta das 14h, e bloqueou totalmente os dois sentidos da rodovia.
Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, o motorista de um dos carros não resistiu aos ferimentos. As outras vítimas foram socorridas e encaminhadas a hospitais da região. Com o impacto, a carreta tombou e a carga de cal ficou espalhada no asfalto, formando longas filas até a liberação da pista por volta das 18h40.
A Delegacia de Delitos de Trânsito da Polícia Civil do Paraná abriu inquérito para apurar a dinâmica da batida. O delegado Edgar Santana informou que a investigação vai analisar a velocidade dos veículos, ouvir testemunhas e verificar imagens de câmeras de segurança da área.
A Prefeitura de Araucária confirmou que um dos veículos envolvidos na colisão pertence a uma empresa terceirizada que presta serviços para a Secretaria Municipal de Obras, mas não detalhou se havia funcionários no carro.
O acidente se soma a uma série de tragédias recentes envolvendo veículos de carga no Paraná. No mesmo dia, um caminhão-tanque tombou na PR-151, entre Carambeí e Castro, e derramou combustível na pista, deixando o motorista ferido.
O episódio reacendeu críticas levantadas no seminário realizado em setembro pelo Instituto Edésio Passos e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Curitiba. Especialistas denunciaram a precarização das condições de trabalho dos caminhoneiros, jornadas abusivas e falta de fiscalização.
Para o advogado trabalhista Sandro Lunard, que participou do encontro, a morte no Contorno Norte reforça esse diagnóstico: “Há uma política deliberada de deixar a fiscalização em segundo plano, criando um ambiente de impunidade que sacrifica os trabalhadores e privilegia a lógica de mercado”.
Segundo dados apresentados pela PRF, mais da metade dos acidentes fatais nas estradas brasileiras envolve veículos de carga. Sindicatos denunciam que o sucateamento da lei e a pressão econômica sobre motoristas favorecem a repetição de tragédias como as registradas nesta quinta-feira.
A recorrência desses episódios mostra que não se trata de fatalidades isoladas, mas de uma crise estrutural no setor de transportes. Sem políticas públicas robustas e fiscalização efetiva, a vida de motoristas e usuários das rodovias segue em risco.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




