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A queda de Assad: o avanço de al-Jolani e o refúgio russo

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Após mais de 13 anos de guerra civil devastadora, a Síria vivencia uma reviravolta histórica: o regime de Bashar al-Assad foi derrubado por uma ofensiva liderada por Abu Mohammad al-Jolani, chefe do grupo islâmico Hayat Tahrir al-Sham (HTS). Al-Jolani, conhecido por seu passado ligado à Al Qaeda, emergiu como a figura central na reorganização do poder na Síria, colocando o futuro da região em um novo patamar de incerteza.

Quem é Abu Mohammad al-Jolani?

Nascido Ahmed Hussein al-Shara na Arábia Saudita e filho de exilados sírios, al-Jolani, de 42 anos, passou sua juventude na Síria antes de se unir à insurgência iraquiana em 2003. Com uma trajetória marcada por alianças estratégicas e rupturas, ele comandou o HTS a partir de Idlib, consolidando sua posição como líder de um dos grupos mais influentes da oposição armada. Em novembro de 2024, al-Jolani lançou um ataque surpreendente que resultou na tomada de Aleppo e, em poucos dias, de Damasco.

“A ofensiva foi mais do que um movimento militar. Foi um golpe político e estratégico que abalou as bases do regime”, destacou Jerome Drevon, especialista em jihadismo no International Crisis Group.

O destino de Assad

Enquanto os rebeldes comemoravam nas ruas da capital, Bashar al-Assad e sua família buscaram refúgio na Rússia. Segundo o Kremlin, o ex-presidente sírio está em Moscou sob asilo humanitário. Autoridades russas declararam que negociaram garantias para a segurança de suas bases militares e missões diplomáticas na Síria, agora sob o controle de forças opositoras.

Essa retirada marca o fim de um regime que dominou a Síria por décadas, mas levanta questões sobre o papel da Rússia no futuro do país. Moscou, que sustentou Assad militarmente durante o conflito, parece agora buscar uma transição controlada para preservar seus interesses estratégicos.

O que vem a seguir?

A queda de Assad pode desencadear uma nova fase de instabilidade no Oriente Médio. A liderança de al-Jolani e seu histórico controverso alimentam incertezas sobre a consolidação do poder e a perspectiva de negociações de paz. Por outro lado, a Rússia tenta manter sua influência, defendendo um acordo mediado pela ONU.

O cenário ainda é incerto, mas uma coisa é clara: o tabuleiro geopolítico da Síria mudou drasticamente. Para milhões de sírios que suportaram anos de guerra e sofrimento, o fim do regime de Assad é apenas o início de uma nova luta por estabilidade e reconstrução.

Essa virada histórica revela como as peças do xadrez político global podem se mover rapidamente, deixando perguntas em aberto sobre quem realmente vencerá este jogo.

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