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Rubio nega ajuda dos EUA na fuga de Flávio Bolsonaro

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou que o governo americano tenha ajudado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a deixar o Brasil. A declaração foi dada na reunião de chanceleres do Grupo dos 20 (G20) em Atlanta, nos Estados Unidos, neste sábado, 31 de outubro. “Não facilitamos nada”, disse Rubio a jornalistas. “Tivemos a informação de que ele havia chegado aos Estados Unidos. Ele tinha um visto anterior, e o presidente tomou a decisão de permitir a entrada no país”, afirmou, segundo relato publicado da entrevista.

O contraste com o que já se sabe sobre a operação é direto. Rubio sustenta que o governo americano não esteve “envolvido diretamente em nenhum dos movimentos”. Um relato publicado pelo jornal argentino Clarín na noite de sexta-feira, 30 de outubro, descreve outra cena: agentes ou representantes dos Estados Unidos teriam organizado o veículo que levou a família ao aeroporto de Puerto Iguazú, entrado na pista por uma passagem pouco usada e assumido o controle de boa parte do aeroporto por um período.

Segundo esse relato, policiais da Segurança Aeroportuária, servidores da Imigração e da Alfândega da Argentina foram afastados pelos enviados estrangeiros, que coordenaram os trâmites e garantiram o embarque no jato particular de matrícula LV-JQW, com destino a Miami. A família teria esperado cerca de quarenta minutos até a autorização para decolar.

O Blog do Esmael confrontou as duas versões publicadas neste sábado. A cronologia que sustenta a saída existe desde terça-feira, 27 de outubro, quando uma van branca com vidros escurecidos foi filmada chegando ao aeroporto argentino pouco antes da meia-noite. A decolagem imediata do jato reforçou a impressão de que o senador estava naquele veículo. O relato do Clarín afirma que a família havia chegado cerca de uma hora antes, em outro carro, e que a van funcionou como isca. O pacote incluía outros dois jatos, um deles posicionado no Paraguai, e seis veículos que saíram da casa da família em Brasília para despistar perseguidores.

O deslocamento até a fronteira teria sido feito por terra, em cerca de 1,6 mil quilômetros entre Brasília e Foz do Iguaçu (PR), porque o dono da aeronave alugada para o trecho aéreo teria se recusado a cumprir o contrato depois que a imprensa noticiou a ordem de recolhimento do passaporte. O jornal argentino também afirma que o presidente Javier Milei mandou um assessor de confiança a Misiones, de forma reservada, para garantir a logística.

A contradição tem consequência política imediata em Washington. Um grupo de parlamentares democratas protocolou pedido formal de explicações sobre o uso de canais do governo americano e a atuação de assessores próximos à Casa Branca na operação. As perguntas foram enviadas a Rubio com prazo de resposta até 13 de novembro. A eleição de meio de mandato nos Estados Unidos ocorre em 3 de novembro, e a disputa pelo controle do Congresso define o poder de investigação do Legislativo a partir de 2027.

Do lado brasileiro, o chanceler Mauro Vieira e Rubio se encontraram na sexta-feira e novamente neste sábado em Atlanta. Rubio disse que os dois devem voltar a se ver em novembro, na França, durante reunião de chanceleres. O Blog do Esmael informou em 30 de outubro que o Itamaraty convocou a Argentina a explicar a passagem do senador pelo território argentino.

Não há, até a noite deste sábado, confirmação oficial brasileira ou americana sobre o relato do Clarín, nem manifestação da defesa do senador sobre as perguntas dos parlamentares democratas. O senador está nos Estados Unidos desde 28 de outubro, depois de deixar o país sem entregar os passaportes determinados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele perde o mandato em 1º de fevereiro, quando começa a nova legislatura.

Acompanhe a cobertura no Blog do Esmael.