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Ataques de Milei abrem crise diplomática com o Brasil

O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador argentino no Brasil e chamou o representante brasileiro em Buenos Aires para consultas após Javier Milei atacar o presidente Lula e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), em São Paulo. A medida transforma uma provocação de palanque em crise diplomática formal entre os dois maiores países do Mercosul.

Milei participou do ato que homologou Flávio Bolsonaro à Presidência, em 25 de julho. No discurso, atacou Lula, o governo brasileiro e o ministro Alexandre de Moraes. Também acusou, sem apresentar provas, o Brasil de financiar uma campanha contra a Argentina.

O chanceler Mauro Vieira consultou Lula antes de chamar o embaixador brasileiro Julio Bitelli de volta a Brasília. O embaixador argentino Daniel Raimondi foi convocado para receber a manifestação de repúdio do governo brasileiro.

O episódio ultrapassa a disputa eleitoral porque Brasil e Argentina compartilham uma relação comercial, industrial e fronteiriça estratégica. Qualquer deterioração afeta o Mercosul, cadeias automotivas, turismo e circulação de mercadorias.

No Paraná, a consequência é direta. O estado faz fronteira com a província argentina de Misiones, mantém fluxo turístico em Foz do Iguaçu e integra rotas comerciais com o país vizinho. A crise exige posição dos candidatos ao governo e dos grupos que receberam Milei no palanque de Flávio Bolsonaro.

Sergio Moro, Filipe Barros e Deltan Dallagnol dividem o campo eleitoral que busca apoio de Flávio Bolsonaro no Paraná. Sandro Alex, Ratinho Junior e Ronaldo Caiado também precisam definir se tratam o ataque estrangeiro como aliado de campanha ou como agressão às instituições brasileiras.

O conflito oferece um teste objetivo para 2026: defender um aliado ideológico ou proteger a soberania nacional e uma relação econômica decisiva.

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