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Master não gruda em Lula nem livra Ciro Nogueira

Blog do Esmael, direto de Brasília – 46% dos entrevistados pela Genial/Quaest afirmam que o caso Banco Master afetou negativamente, de forma semelhante, governo Lula, governo Bolsonaro, Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional e Banco Central, enquanto só 11% apontam o governo Lula como o principal atingido. O dado, divulgado nesta quarta-feira (13), desmonta a tentativa de transformar o escândalo em carga exclusiva contra o Planalto e mantém Ciro Nogueira no centro do desgaste político.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03598/2026.

O retrato é ruim para quem esperava colar o Master em Lula como se fosse um problema de governo. O eleitorado distribuiu a conta entre instituições, governos e Congresso. O caso aparece menos como um carimbo partidário e mais como desconfiança ampla contra o sistema financeiro e político.

Entre os que apontam um grupo mais atingido, o governo Lula aparece com 11%. O STF/Judiciário vem com 10%, o governo anterior de Jair Bolsonaro com 9%, o Banco Central com 7% e o Congresso Nacional com 2%. Nenhum deles soma 1%, e 14% não souberam ou não responderam.

A comparação com março reforça a leitura. A parcela dos que veem todos os atores afetados subiu de 40% para 46%. Ou seja, a percepção pública caminhou na direção oposta à narrativa de culpa única. O eleitor enxerga uma rede de responsabilidades políticas, regulatórias e institucionais.

Isso não significa alívio pleno para Lula. Significa limite. O governo aparece na lista, mas não isolado. A margem de erro coloca governo Lula, STF/Judiciário e governo Bolsonaro praticamente no mesmo bloco de percepção individual, com diferença pequena demais para sustentar uma sentença política definitiva.

O dado também não salva Ciro Nogueira (PP-PI). A Quaest perguntou se os entrevistados sabiam das investigações do caso Master envolvendo o senador. 46% disseram que sim; 54% responderam que não. Para um político que preside um partido central no Congresso, esse patamar já é exposição nacional relevante.

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Ciro Nogueira em 7 de maio, dentro da investigação sobre o Banco Master, segundo decisão do Supremo. A defesa do senador negou irregularidades e afirmou que ele cooperaria com as autoridades.

A consequência política é direta. Ciro não pode dizer que o caso desapareceu no noticiário nem que o eleitor desconhece completamente a investigação. Quase metade do país já ouviu falar do vínculo entre seu nome e o Master, sem que isso tenha virado, pelo menos por ora, uma acusação absorvida majoritariamente contra Lula.

Para o Centrão, o número é desconfortável. Ciro é presidente nacional do Progressistas (PP), interlocutor de peso no Congresso e peça de composição para 2026. Quando uma investigação financeira chega a esse nível de conhecimento público, a defesa deixa de ser só jurídica e passa a ser também eleitoral.

Para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o problema é outro. O caso não entregou a bomba exclusiva contra Lula que a oposição desejava, mas mantém um aliado estratégico no noticiário negativo. O discurso anticorrupção perde força quando a aliança precisa explicar Ciro, Banco Master, Congresso, Banco Central e disputa de influência ao mesmo tempo.

A pesquisa indica que o eleitor não comprou uma narrativa simples. O Master ainda não gruda em Lula como marca dominante, mas também não sai barato para quem circula no entorno do escândalo. Ciro Nogueira segue tendo defesa formal, mas a percepção pública já entrou no jogo político.

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