Blog do Esmael, direto de Brasília – 61% dos eleitores não sabiam que o Senado rejeitou Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13). O dado reduz o alcance político da derrota imposta ao presidente Lula (PT) e mostra que a crise ainda circula mais em Brasília do que na vida cotidiana do eleitor.
O Senado barrou Messias em 29 de abril por 42 votos contrários a 34 favoráveis. A indicação precisava de pelo menos 41 votos para ser aprovada. Foi a primeira rejeição de um nome ao STF em 132 anos, segundo a Agência Senado.
A Quaest mostra outro ponto incômodo para o Planalto. Entre os entrevistados, 53% disseram que a rejeição foi um direito do Senado, enquanto 27% trataram o episódio como traição ao governo. A leitura popular, portanto, não comprou automaticamente a narrativa de golpe contra Lula.
A decisão divide o eleitor informado, mas sem virar comoção nacional. A rejeição foi aprovada por 38% dos entrevistados e desaprovada por 35%. Outros 27% não souberam ou não responderam. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio, em entrevistas presenciais. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03598/2026.
O contraste apareceu na posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do TSE, na terça-feira (12), em Brasília. Messias foi citado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, e recebeu aplausos da plateia.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), estava sentado ao lado de Lula e não acompanhou os aplausos. A cena resumiu a temperatura da elite política: o Planalto tenta reabilitar Messias em público, enquanto o comando do Senado não recua do gesto que impôs a derrota.
A posse de Nunes Marques teve peso institucional próprio. O novo presidente do TSE comandará as eleições gerais de 2026, com André Mendonça na vice-presidência. O tribunal afirmou que a gestão terá foco na organização do pleito, na segurança das urnas eletrônicas e no enfrentamento à desinformação.
Para Lula, o dado da Quaest tem duas leituras. A primeira é defensiva: a rejeição de Messias não virou desgaste popular amplo. A segunda é mais dura: quando o eleitor toma conhecimento do caso, a maioria aceita a prerrogativa do Senado como parte do jogo institucional.
Alcolumbre saiu da votação com força dentro do Congresso, mas a pesquisa indica que essa vitória não se transformou em capital popular automático. O eleitor médio não acompanha sabatina, placar de indicação ao Supremo nem disputa por cadeira no Judiciário com a mesma intensidade de Brasília.
O governo também não conseguiu transformar a rejeição em indignação nacional. A plateia do TSE aplaudiu Messias, mas a Quaest mostrou que a maioria do país sequer sabia do episódio. A diferença entre plenário, imprensa política e rua continua sendo o limite da narrativa governista.
A consequência eleitoral é direta. Em 2026, Lula terá de escolher se trata a crise como disputa institucional com Alcolumbre ou se vira a página com um novo nome para o STF. O dado da Quaest sugere que prolongar a briga pode falar mais com aliados já convencidos do que com o eleitor que decide eleição.
A derrota de Messias foi histórica no Senado, mas ainda não furou a bolha. Para o Planalto, a saída não está no aplauso de solenidade, e sim na recomposição de votos no Congresso sem perder clareza diante do país.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




