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Senado transforma derrota de Messias em alerta global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu a derrota de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal (STF) atravessar a fronteira brasileira como alerta de governabilidade. O El País tratou a rejeição como derrota histórica, registrou que o Senado não barrava uma indicação ao Supremo desde 1894 e apontou ruptura com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A notícia deixou de ser só uma disputa por cadeira no STF.

Virou sinal externo de que Lula enfrenta um Congresso disposto a quebrar uma rotina institucional de 132 anos para impor custo político ao Planalto.

O Senado rejeitou Messias na quarta-feira (29), por 42 votos contrários e 34 favoráveis. A aprovação exigia 41 votos, maioria absoluta da Casa.

Antes do plenário, Messias havia passado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), por 16 votos a 11. A queda no plenário deu ao episódio dimensão rara na história da República.

O El País escreveu que prevaleceu entre senadores o desejo de punir Lula. O jornal também afirmou que Alcolumbre atuou contra o indicado porque o presidente não escolheu o nome preferido dele para a vaga.

Essa é a chave política do caso.

A indicação de Messias expôs uma fratura aberta entre Planalto e comando do Senado. Quando essa briga chega à imprensa internacional, Brasília deixa de parecer apenas barulhenta e passa a parecer instável.

A agência Associated Press também leu a votação como golpe político contra Lula e registrou que Alcolumbre defendia outro nome antes da escolha de Messias. A AP citou ainda que a última rejeição de indicado ao Supremo havia ocorrido em 1894, no governo Floriano Peixoto.

A CNN Brasil registrou a repercussão em veículos como Washington Post, El País e Clarín. A leitura comum foi de derrota rara do governo Lula, com peso fora do noticiário doméstico.

O ponto incômodo para o Planalto é que a derrota não ficou confinada ao nome de Messias.

O El País ligou o episódio à dificuldade de Lula para aprovar pautas no Congresso, entre elas a redução da jornada e o fim da escala 6×1. Esse é o tipo de agenda que fala direto com o trabalhador, mas depende de votos em uma Casa onde o governo mostrou não ter controle.

Alcolumbre sai do episódio com força formal, mas também com a marca de ter comandado uma derrota que entrou para a crônica internacional da crise brasileira.

Lula sai com o problema maior. Terá de indicar outro nome ao STF, reconstruir pontes no Senado e impedir que a derrota vire método de chantagem legislativa até a eleição de outubro de 2026. O petista terá que recorrer às ruas para recompor sua força.

O bolsonarismo entendeu o recado antes de todo mundo. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou a queda de Messias e tentou vender o resultado como prova de que o governo perdeu autoridade.

A oposição pode até exagerar no discurso, mas o placar fala por si.

Quando 42 senadores barram uma indicação presidencial ao Supremo, a poucos meses da eleição, a mensagem é menos jurídica do que política.

O Senado não apenas rejeitou Messias.

O Senado avisou a Lula que a disputa de 2026 começou dentro do Congresso, com Alcolumbre no centro da engrenagem e a imprensa internacional tomando nota.

O Planalto ainda pode reagir, mas terá de trocar cálculo de gabinete por força social organizada. Sem rua, a governabilidade vira refém de quem controla a pauta e cobra caro por cada voto.

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