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Lula e Trump marcam encontro após reunião de Mauro Vieira e Marco Rubio

O governo brasileiro considerou “muito bom” o encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, realizado nesta quinta-feira (16) na Casa Branca, em Washington.

A reunião abriu formalmente o processo de negociação para o levantamento de sanções e a redução das tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, e pavimentou o caminho para o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump (Partido Republicano), marcado para novembro.

A conversa teve duas etapas.

Primeiro, Vieira e Rubio ficaram a sós por cerca de 15 minutos, em um diálogo descrito como cordial e pragmático.

Depois, as equipes dos dois países se reuniram por uma hora, discutindo medidas para destravar o comércio bilateral.

Fontes do Itamaraty afirmaram que a reunião sinaliza a largada de uma “negociação séria” para reverter o tarifaço de até 50 % aplicado por Washington sobre produtos brasileiros.

Do lado americano, o governo Trump indicou disposição em revisar as sobretaxas, mas condicionou avanços a novos entendimentos sobre etanol, minerais críticos e regulação de big techs.

O chanceler Mauro Vieira propôs criar grupos de trabalho nessas áreas e destacou a intenção do Brasil de estabelecer um acordo de ganha-ganha.

O encontro também abordou a retomada de investimentos e a possibilidade de uma parceria para exploração de minerais estratégicos no território brasileiro.

Fontes diplomáticas afirmam que o Itamaraty saiu satisfeito.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipara que a missão seria positiva e poderia separar temas econômicos de divergências políticas, evitando o clima de hostilidade que marcou os últimos anos.

A Casa Branca confirmou que as duas delegações vão manter o diálogo aberto nas próximas semanas para preparar a agenda presidencial.

De acordo com assessores de ambos os governos, Lula e Trump conversaram por telefone na semana anterior e demonstraram interesse em um encontro presencial.

Segundo relatos, Trump disse que sentiu uma “ótima química” com Lula desde que se conheceram na Assembleia Geral da ONU, quando ambos falaram sobre comércio, energia e clima.

O petista, por sua vez, afirmou que “não há limite” para o diálogo entre os dois países e que o Brasil precisa “ganhar e fazer acordos equilibrados”.

As sanções e tarifas impostas pelos Estados Unidos são consideradas pedras angulares do discurso bolsonarista, que tenta explorar o tema como símbolo de resistência contra Washington.

Desde que o governo Trump reativou o pacote tarifário, em julho de 2025, a extrema direita vem associando o tema a uma suposta “fragilidade diplomática” do governo Lula.

Por isso, a equipe presidencial vê a negociação como estratégica para desmontar essa narrativa e demonstrar capacidade de articulação internacional.

O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, resumiu o clima da visita com ironia: “Em Washington, começou o diálogo Brasil-EUA sobre tarifas comerciais. O Brasil negocia com foco no comércio, firmeza na soberania e leveza no tom. Afinal, como lembrou o presidente, não pintou química, pintou uma petroquímica com Trump.”

A diplomacia brasileira encara a reaproximação com os EUA como prioridade geopolítica, sobretudo num contexto em que o país busca equilibrar relações entre o bloco ocidental e o eixo do Sul Global, simbolizado pelos Brics.

O desafio será manter o pragmatismo sem ceder à pressão interna da direita ou aos interesses eleitorais de Trump.

No plano eleitoral, o gesto pode ter peso duplo.

Para Lula, significará mostrar resultados concretos na política externa, revertendo tarifas que afetam diretamente o agronegócio e a indústria.

Para Trump, o diálogo com o Brasil serve de vitrine para reforçar sua liderança hemisférica e conter a influência chinesa.

Em ambos os casos, o cálculo é político.

A reunião em Washington foi discreta, mas teve alto valor simbólico.

Se os próximos passos confirmarem a retirada de sanções e a redução tarifária, será o primeiro grande gesto de distensão entre Brasília e Washington em quase uma década.

O Itamaraty espera divulgar nas próximas semanas o cronograma oficial do encontro entre Lula e Trump, previsto para novembro.

Lula e Trump se aproximam, cada um com sua lógica, mas a química diplomática parece ter resistido às ideologias e aos tarifaços.

A política, afinal, é a arte do possível, e o comércio, o instrumento da sobrevivência entre gigantes.

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