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Quaest: maioria vê erro de Trump ao impor tarifaço por Bolsonaro, e apoia reação de Lula

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A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (16) traz um recado direto da população brasileira ao presidente dos Estados Unidos: 72% consideram errado que Donald Trump tenha imposto tarifas ao Brasil por causa de Jair Bolsonaro (PL) e do julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). A medida gerou reação do governo Lula (PT), que anunciou reciprocidade nas taxas de importação, apoio que vem da maioria dos entrevistados.

Segundo o levantamento, 53% aprovam a resposta do governo Lula ao tarifaço de 50% anunciado por Trump, enquanto 39% acham que o petista errou ao reagir. Outros 8% não souberam responder.

Trump isolado na opinião pública brasileira

A medida de Trump foi anunciada por meio de uma carta enviada diretamente a Lula, revelada pela imprensa no início do mês. O conteúdo foi conhecido por 66% dos entrevistados, índice elevado em comparação a outros temas internacionais. Na carta, o presidente americano pediu o fim do julgamento de Bolsonaro no STF, revelando interferência direta em assuntos internos do Brasil — o que também foi reprovado: 57% afirmam que Trump não tem o direito de criticar o processo contra o ex-presidente brasileiro, e apenas 36% dizem que ele tem esse direito.

Somente 19% acreditam que Trump está certo em retaliar o Brasil por suposta perseguição a Bolsonaro. Mesmo entre os críticos de Lula, o gesto de Trump parece ter ultrapassado limites de razoabilidade.

Eduardo Bolsonaro e o lobby anti-STF nos EUA

A imposição das tarifas foi precedida por uma campanha coordenada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Licenciado do mandato de deputado federal, o filho do ex-presidente atuou para pressionar o governo Trump a adotar sanções contra o Brasil como forma de constranger o Supremo Tribunal Federal e defender a tese de que há perseguição judicial no país.

Apesar da narrativa, apenas 29% dos brasileiros acham que Bolsonaro e seus aliados estão certos nesse embate com o governo federal. Já 44% afirmam que Lula e o PT estão agindo da forma mais correta. Outros 15% não veem acerto de nenhum dos lados, e 12% não souberam opinar.

Tarifaço preocupa e é visto como nocivo

A Quaest também apurou o sentimento da população sobre os efeitos diretos da medida. Para 79% dos entrevistados, o tarifaço vai prejudicar a vida dos brasileiros. O impacto negativo é majoritário em todas as faixas de renda e escolaridade, sinalizando risco político real para ambos os lados do conflito.

Ainda assim, 59% acreditam que Trump manterá sua decisão, o que pressiona o governo Lula a fortalecer suas estratégias de proteção comercial, diplomacia e comunicação.

Brics e crítica à diplomacia presidencial

A pesquisa mostra ainda que 55% acreditam que Lula provocou Trump ao criticá-lo durante a cúpula dos Brics, realizada no primeiro semestre. Por outro lado, 31% acham que o presidente brasileiro não provocou o colega americano, e 14% não souberam responder. O dado revela uma leitura ambígua da atuação diplomática do Planalto, ainda que não comprometa o apoio popular à resposta de reciprocidade.

As justificativas mais citadas pelos entrevistados para a imposição das tarifas são diversas:

  • 26% apontam críticas de Lula a Trump no Brics;
  • 22% citam as ações do STF contra Bolsonaro;
  • 17% mencionam o lobby de Eduardo Bolsonaro nos EUA;
  • 10% relacionam a decisão à atuação do STF contra as big techs; e
  • 25% não souberam ou não quiseram responder.

PT lança campanha e bolsonarismo pede “anistia geral”

A reação do PT à ofensiva de Trump e da família Bolsonaro incluiu o lançamento da campanha “Defenda o Brasil”, com as cores da bandeira nacional e forte apelo patriótico. A narrativa petista associa o tarifaço a uma tentativa de sabotagem da soberania brasileira, com interferência externa para salvar o ex-presidente da condenação por tentativa de golpe.

Já os bolsonaristas defendem que a única saída para a crise com os EUA seria uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos golpistas, argumento que reforça a tese de chantagem política transnacional.

Popularidade de Lula se mantém estável

A pesquisa também apontou oscilação positiva na imagem do presidente Lula: 40% de avaliação negativa, contra 28% de positiva. Outros 28% consideram o governo regular. Os dados mostram leve recuperação após semanas de desgaste político, incluindo escândalos como o do INSS.

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