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Netanyahu mira mudança de regime no Irã, mas Teerã alerta: “Fantasia pode virar pesadelo”

Benjamin Netanyahu parece obcecado em redesenhar o Oriente Médio à imagem de seus próprios fantasmas. Nesta quarta-feira (18), o jornal israelense Haaretz revelou que o primeiro-ministro de Israel articula não apenas a destruição do programa nuclear iraniano, mas também aposta numa eventual insurreição popular contra o regime dos aiatolás. Em outras palavras: Netanyahu sonha alto com uma mudança de regime em Teerã.

O problema, dizem especialistas e autoridades iranianas, é que essa “fantasia de libertação” israelense pode descambar num desastre regional de proporções imprevisíveis.

Nos bastidores da diplomacia, o Irã já emitiu o alerta: o cenário que Israel projeta é ingênuo, se não suicida. A escalada militar dos últimos dias — com bombardeios aéreos contra instalações nucleares em Isfahan e contra alvos estratégicos em Teerã — tem sido interpretada em Teerã como o estopim de uma guerra total.

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Fontes ouvidas pelo Haaretz destacam que o discurso de Netanyahu não é apenas retórico: ele embute o desejo de ver o povo iraniano levantar-se contra o regime, mesmo que isso custe milhares de vidas. A aposta na desestabilização interna, via sanções, sabotagem e ação militar, repete a fórmula fracassada aplicada contra o Iraque e a Síria. O Irã, no entanto, não é nem Bagdá nem Damasco.

A República Islâmica possui uma sociedade mobilizada, milícias bem armadas e uma geopolítica que se estende do Golfo Pérsico até o Líbano, com poder de fogo para retaliar em diversas frentes — de Tel Aviv ao estreito de Ormuz.

Enquanto os Estados Unidos de Trump hesitam entre apoiar abertamente Tel Aviv ou conter o conflito, líderes iranianos alertam: qualquer tentativa de mudança de regime patrocinada do exterior só aprofundará o caos e empurrará o Oriente Médio para um novo ciclo de destruição.

A ideia de Netanyahu de redesenhar o Irã por fora é perigosa, insustentável e estrategicamente falha. Se o objetivo declarado é segurança regional, o efeito poderá ser o contrário: multiplicar frentes de guerra e gerar ainda mais instabilidade. O pesadelo não será só iraniano — será global.