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José Dirceu: ‘Tarcísio não é imbatível’ | Isso a velha mídia não mostra

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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu lançou luz sobre a disputa de 2026 com uma frase estratégica — e pouco divulgada pela velha mídia: “Tarcísio não é imbatível”. A declaração, feita nesta terça-feira (17) à GloboNews, rompe o consenso artificial em torno da inevitabilidade do governador paulista como nome certo da direita.

Ao ser instado a apontar quem sucederia Lula caso o presidente não dispute a reeleição no próximo ano, Dirceu foi direto: “O sucessor de Lula é o PT”. Segundo ele — citando a ministra Gleisi Hoffmann —, o partido seguirá alinhando projeto, estrutura e governo, em meio a uma sucessão complexa marcada pela indefinição jurídica de Jair Bolsonaro (PL) e pelo avanço silencioso de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Mas Dirceu advertiu: para derrotar Tarcísio, será indispensável uma aliança ampla de centro-esquerda, ancorada num PT reestruturado e com maior presença nos territórios e nas redes.

Ao cravar que “Tarcísio não é imbatível” nas urnas, o petista se somou a um alerta que já vinha sendo feito pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab — que vem pressionando Tarcísio a buscar a reeleição em São Paulo e deixar o sonho presidencial para 2030.

Essa fala de Dirceu, enfatizando que Tarcísio pode ser derrotado, a velha mídia corporativa simplesmente não mostra de jeito nenhum.

Dirceu também minimizou a narrativa segundo a qual o governo Lula teria sofrido uma derrota na Câmara com a retirada do aumento do IOF. Ao contrário: ele corrobora com o Planalto — quem deve pagar pelo ajuste fiscal são os mais ricos, e não os mais pobres.

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Dirceu mira 2026 com o radar em 2030

Para Dirceu, o partido precisa se reorganizar internamente se quiser seguir vitorioso nas urnas. “Se não houver força no partido, não adianta ter candidato”, afirmou, reforçando a tese de que o futuro do lulismo depende diretamente da vitalidade partidária.

Sem citar nomes como favorito, listou Haddad, Camilo Santana, Jacques Wagner e Rui Costa como quadros com potencial — sem, no entanto, cravar qualquer definição. Em sua análise, o PT deve se reconstruir já pensando em 2026, mas também em 2030.

“Temos um ano e meio de governo pra enfrentar essas questões. O Lula é candidatíssimo, mas o partido precisa estar à altura da disputa”, resumiu.

PT desorganizado, mas não derrotado

Dirceu foi contundente ao diagnosticar os erros internos: a base partidária se desorganizou, as instâncias deixaram de funcionar e a comunicação digital não acompanhou o avanço da direita nas redes.

Mesmo assim, ele argumenta que a esquerda não foi derrotada — porque voltou ao poder. “Ganhamos cinco eleições. Voltamos em 2022. Mas a esquerda saiu dos territórios e não se empoderou digitalmente.”

A autocrítica vem acompanhada de um alerta: o discurso da esquerda, muitas vezes, “retrata um Brasil que não existe mais”. A fala expõe o descompasso entre estratégia eleitoral e realidade popular — e tensiona os rumos do partido no pós-bolsonarismo.

Direita unida, mas vulnerável

Dirceu prevê um enfrentamento direto com Tarcísio de Freitas, a quem vê como provável herdeiro do bolsonarismo. Segundo ele, a eventual aliança entre direita tradicional e extrema-direita, se ocorrer, trará um ônus político pesado.

“Essa aliança compromete muito a direita, pois traz junto Eduardo Bolsonaro nos EUA, pedidos de anistia e o uso da força trumpista.”

Ao contrário da imagem de força que setores da imprensa projetam sobre Tarcísio, Dirceu acredita que o governador de São Paulo “não é imbatível”. A condição? Uma aliança ampla de centro-esquerda, ancorada num PT reestruturado.

Lula, distância e sintonia

Questionado sobre sua relação atual com Lula, Dirceu foi direto: “Faz meses que não conversamos”. Mesmo assim, garante saber o que pensa o presidente pelas entrevistas e artigos que publica semanalmente.

A resposta revela um afastamento formal, mas não político. Dirceu continua influente nos bastidores — e sua análise aponta para uma reestruturação do partido como chave para a sobrevivência eleitoral da esquerda nos próximos ciclos.

Lula 4 vem aí

A entrevista de José Dirceu funciona como diagnóstico e roteiro. Ao declarar que “o sucessor de Lula é o PT”, ele não aponta um nome, mas um projeto — e ao mesmo tempo denuncia a fragilidade atual da máquina partidária.

Seu alerta sobre o crescimento da extrema-direita e a desmobilização da esquerda é um convite à autocrítica profunda. O PT venceu em 2022, mas pode perder 2026 se não recuperar sua organicidade, presença territorial e estratégia de comunicação.

Resta saber se há disposição interna para ouvir o conselho de quem conhece, por dentro, todas as engrenagens do poder.