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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amanhece nesta terça (3) no centro das atenções políticas e econômicas do país. Antes de embarcar para sua visita de Estado à França, Lula reúne sua equipe econômica e articulação política para bater o martelo sobre a polêmica alta do IOF — e sua possível substituição.
Abaixo, você assiste a íntegra da entrevista coletiva.
A medida, proposta por Fernando Haddad como forma de equilibrar as contas públicas, foi mal recebida por banqueiros e demais especuladores. Sob risco de derrota no Congresso, o governo busca construir uma saída técnica e politicamente aceitável até o fim do dia.
Haddad confirmou que apresentará nesta manhã ao presidente um novo pacote fiscal. “Do meu ponto de vista, dá uma estabilidade duradoura para as contas”, afirmou o ministro da Fazenda. O novo plano não incluiria a exploração de petróleo como solução imediata, mas traria “medidas estruturais” cobradas pelas lideranças da Câmara e do Senado.
Especuladores pressionam, Lula decide
Nos bastidores, a resistência ao aumento do IOF uniu banqueiros e especuldores, enquanto ficam no fogo cruzado líderes da base e da oposição. Para evitar o desgaste, o Planalto costura uma alternativa que agrade a investidores e respeite o teto político negociado com o Congresso.
Haddad se reuniu na noite de ontem com os presidentes das duas Casas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, além da ministra Gleisi Hoffmann e dos líderes José Guimarães e Jaques Wagner. O consenso? Evitar medidas paliativas e apresentar reformas de longo prazo.
Entre as possibilidades, circulam ajustes em pisos constitucionais e novos modelos de correção do salário mínimo — temas sensíveis que exigem aval direto de Lula. A reunião com o presidente deve ocorrer antes da coletiva marcada para as 10h.
Viagem à França: clima, defesa e estratégia global

Ao resolver o impasse fiscal, Lula embarca para Paris. Entre os dias 4 e 9 de junho, o presidente cumpre uma intensa agenda bilateral com Emmanuel Macron. Trata-se da primeira visita de Estado de um presidente brasileiro à França em 13 anos, com foco em economia, cultura e meio ambiente.
A visita sela uma nova etapa da Parceria Estratégica Brasil-França e antecipa articulações para a COP30, que será sediada em Belém do Pará. Lula e Macron devem firmar acordos sobre clima, saúde, segurança, ciência e tecnologia — incluindo a criação de um corredor marítimo descarbonizado.
Lula também receberá o título de doutor honoris causa da Universidade de Paris 8 e será homenageado na tradicional Academia Francesa, honra rara concedida a líderes estrangeiros.
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Defesa, economia azul e COP30 no horizonte
A viagem também inclui passagem por Toulon, para visita à base naval francesa, e participação na Conferência da ONU sobre os Oceanos, em Nice. Lula foi convidado para copresidir o painel de abertura ao lado do premiê grego Kyriákos Mitsotákis.
O Brasil levará à conferência sua proposta de integração entre políticas climáticas e segurança alimentar. Um dos eventos promovidos pelo país destacará a cultura oceânica como pilar educacional — com apoio da Unesco.
Com a presença de mais de 60 chefes de Estado, o evento será um teste diplomático antes da COP30. A expectativa do Itamaraty é que Lula reforce seu papel como líder do Sul Global e acelere compromissos multilaterais rumo a Belém.
Brasil x especulação financeira
O timing da coletiva desta terça não é mero acaso: Lula sabe que a estabilidade política começa na previsibilidade fiscal. O pacote que substituirá o IOF será tanto um gesto interno ao Congresso quanto um recado ao mundo — de que o Brasil está pronto para liderar nos temas do futuro.
Ao embarcar para a França com um plano fiscal sólido e agenda internacional robusta, Lula pretende virar a página da turbulência tributária e mostrar que ainda dita o compasso do jogo político.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




