O BTG Pactual Commodities venceu, nesta quarta-feira (30), o leilão da área PAR14 do Porto de Paranaguá, um dos pedaços mais estratégicos do terminal paranaense. O banco levou a concessão com lance de R$ 225 milhões após disputa em viva voz com a gigante internacional ICTSI Américas BV.
O evento ocorreu na sede da B3, em São Paulo, e faz parte da estratégia de privatização acelerada imposta pelo governador Ratinho Júnior (PSD) — sem qualquer consulta popular e com potencial de impacto logístico profundo no Sul do Brasil.
O banqueiro André Esteves é o controlador do BGT Pactual.
Privatização avança sem freio e risco de apagão logístico aumenta
A entrega da área PAR14, destinada ao escoamento de grãos sólidos orgânicos como soja e milho, acende um alerta no setor produtivo: o Paraná pode enfrentar um apagão logístico semelhante ao que ocorreu nesta semana na Península Ibérica, com apagões que paralisaram trens, metrôs e serviços públicos.
O modelo copiado por Ratinho Júnior — baseado em capital disperso e mínima participação estatal — foi o mesmo aplicado em Espanha e Portugal, com resultados trágicos no setor de energia. Agora, o Paraná pode estar trilhando caminho semelhante no setor portuário.
Essas são as áreas colocadas à leilão na B3. Foto: APPA
Área PAR14
Tamanho: 82,4 mil m²
Tipo de carga: Granéis sólidos orgânicos
Investimentos exigidos: R$ 529 milhões em CAPEX + R$ 477 milhões em OPEX
Duração da concessão: 35 anos (renovável)
Outras duas áreas também foram colocadas à venda:
PAR15: vencida pelo consórcio ALDC (Louis Dreyfus + Amaggi), por R$ 219 mi
PAR25: disputa ainda em andamento
BTG fatura e Ratinho acelera projeto presidencial
Para além da economia, a movimentação tem tudo a ver com política e eleições. Nos bastidores, o leilão acelerado é visto como parte do plano de Ratinho Júnior para se viabilizar como presidenciável em 2026. Mostrar-se como um “gestor moderno” aos olhos do mercado é a aposta do governador.
Mas vender fatias do Estado como se fossem mercadorias de prateleira pode custar caro. Especialmente se os efeitos colaterais forem tarifas abusivas, demissões em massa e perda de controle estratégico sobre a logística do Sul do país.
Entenda o leilão do Porto de Paranaguá
Quem arrematou o Porto de Paranaguá?
O BTG Pactual Commodities arrematou a área PAR14 com lance de R$ 225 milhões, derrotando a ICTSI Américas BV.
O que está em jogo?
O controle de áreas fundamentais para o escoamento da produção agrícola do Brasil, com contratos de 35 anos e obrigações bilionárias de investimento.
Qual o modelo adotado?
Concessão portuária por 35 anos, com administração privada total das áreas leiloadas, investimentos obrigatórios e participação mínima do Estado.
Qual o risco para o Paraná?
Apagão logístico, encarecimento do frete, gargalos na exportação e perda de autonomia sobre sua infraestrutura estratégica.
Ratinho Júnior lucra politicamente?
Sim. A privatização é vista como ativo político na construção de uma narrativa de “gestão moderna” para embasar uma possível candidatura à Presidência em 2026.
O Paraná vira moeda no tabuleiro da B3
Ratinho Júnior busca aprovação do mercado financeiro com vendas, leilões e concessões de ativos dos paranaenses. Foto: divulgação/AENotícias/PR
O arremate do BTG no Porto de Paranaguá marca mais que um simples leilão: é a entrega simbólica e prática de um patrimônio do povo paranaense ao mercado financeiro.
Enquanto o governador busca palmas no pregão da B3, o povo do Paraná assiste de longe à venda do futuro logístico do estado, sem debate, sem transparência e sob risco de repetir o fracasso energético da Copel.
A pergunta que fica é simples e urgente:Quanto custará ao povo o lucro privado dos acionistas do BTG?
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