Com Paranhos, Greca e Ulisses, governador fortalece time e tenta voo nacional
Ratinho Junior deu o sinal mais claro de que está em campanha — e não é para o Governo do Paraná.
Ao anunciar nesta sexta-feira (21) a entrada de Leonaldo Paranhos, Rafael Greca e Ulisses Maia em cargos estratégicos no secretariado, o governador movimenta o tabuleiro político com dois objetivos: construir sua sucessão em 2026 e pavimentar o próprio caminho rumo ao Senado — ou, quem sabe, uma tentativa nacional.
Pelas características das escolhas iniciais do governador, ele está refoçando a capilaridade política para uma disputa mais localizada.
A reforma atinge diretamente os eixos políticos do Estado:
- Leonaldo Paranhos (Podemos), ex-prefeito de Cascavel, assume o Turismo — pasta que ganhou visibilidade nacional.
- Rafael Greca (PSD), ex-prefeito de Curitiba, assume o Desenvolvimento Sustentável — setor que atrai investimentos internacionais e mídia positiva.
- Ulisses Maia (PSD), ex-prefeito de Maringá, comanda o Planejamento — que gere os grandes projetos do governo e articula recursos.
Ao trazer para o núcleo do governo três nomes testados nas urnas e com peso regional, Ratinho cria uma espécie de “tripé político” com base no Oeste (Paranhos), no Norte (Ulisses) e na capital (Greca).
Não se trata apenas de uma “oxigenação” da gestão. A escolha desses nomes reforça a musculatura política de Ratinho, enquanto ele prepara seu próximo passo. A avaliação no Palácio Iguaçu é que 2026 já começou — e quem não montar sua tropa agora, ficará para trás.
Fontes próximas ao governador confirmam que ele alimenta o sonho de disputar um cargo nacional — talvez a vice-presidência ou até a Presidência numa futura composição — mas a realidade aponta para uma candidatura ao Senado. Ratinho pode repetir o caminho de Beto Richa (PSD), que saiu do governo para disputar a cadeira de senador em 2018.
A entrada de Greca no Desenvolvimento Sustentável — e de Guto Silva (PSD), possivelmente nas Cidades — equilibra o jogo com dois pesos-pesados que também miram o Palácio Iguaçu: o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o vice-governador, Darci Piana. No entanto, Guto ainda não foi confirmado pelo governador.
Greca é uma carta forte. Tem visibilidade, discurso e articulação nacional. Guto tem trânsito livre com o governador. Com isso, Ratinho garante que ninguém cresça demais — e todos dependam dele.
O Blog do Esmael apurou que uma pesquisa qualitativa em abril de 2026 será decisiva para que Ratinho aponte quem será o seu sucessor. Até lá, segue a guerra fria dentro do PSD.
A entrada de Do Carmo (União) no Trabalho também está no radar, reforçando o diálogo com a direita mais popular. E há quem aposte que o governador ainda pode surpreender com mais uma ou duas nomeações com viés político.
Nos bastidores, os principais nomes que se movem para a sucessão são:
- Alexandre Curi, presidente da ALEP;
- Darci Piana, vice-governador;
- Rafael Greca, ex-presidente de Curitiba;
- Guto Silva, virtual secretário das Cidades.

A reforma no secretariado é, acima de tudo, um movimento político milimetricamente calculado. Ratinho Junior sai fortalecido, com um secretariado que mescla experiência administrativa e presença eleitoral.
Se vai mesmo voar mais alto em 2026 — talvez rumo ao Senado ou como coadjuvante nacional — ainda é cedo para cravar. Mas uma coisa é certa: ele está montando o palco, afinando os microfones e iluminando os bastidores. O espetáculo da sucessão já começou.
E você, acha que Ratinho Júnior vai para o Senado ou mira mais alto?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




