Globo é “comunista”, segundo manifestantes bolsonaristas

Em plena segunda-feira, horário de trabalho [em home office, é claro], um grupo de bolsonaristas invadiu a área reservada para a imprensa no Palácio do Alvorada a fim de xingar a Globo de “comunista”. A “ofensa” também foi direcionada para outros veículos e profissionais de imprensa “marxistas” de Brasília, a exemplo do site Metrópoles.

“Mídia lixo, comunista. Vocês não representam a população brasileira. Falem a verdade”, eram alguns dos impropérios berrados pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

O Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, virou lugar de peregrinação de bolsominions.

O professor Glauco Silva assim entendeu a manifestação de hoje à tarde: “Bando de gente desequilibrada! Meu Deus me livre disso….!”

A jornalista Lilian Tahan, diretora de redação do portal de notícias Metrópoles também publicou um vídeo com os ensandecidos bolsonaristas.

“Isso é o que os repórteres brasileiros estão enfrentando todos os dias para trabalhar. Estes militantes romperam a barreira da civilidade e estão partindo para cima”, denunciou ela.

O jornalista George Marques afirmou que os bolsonaristas, se armados, podem cometer atentados contra a imprensa em nome do presidente Bolsonaro.

“Imagine se esses “cidadãos de bem” estivessem armados na forma que o presidente da República deseja montar um estado-milícia? Bolsonaro se responsabilizaria pelos atentados contra a imprensa ou qualquer outro ataque terrorista em seu nome?”, questionou.

Além de faixas padronizadas, a pergunta que não quer calar de jeito nenhum: quem financia esses manifestantes “espontâneos” no DF em pleno início de semana?

Assista aos vídeos:

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Bolsonaro pode pedir prisão de Celso de Mello com base na Lei de Abuso de Autoridade

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estuda pedir a prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, com base na Lei de Abuso de Autoridade.

Bolsonaro publicou ontem (24) no Twitter e no Facebook o artigo 28 da Lei 13.869, de 2019, que dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade:

“Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou imagem do investigado ou acusado”, diz o trecho publicado. “Pena – detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos.”

A ameaça direta ao decano foi combinada com a participação do presidente da República em mais um ato antidemocrático, neste domingo, contra o STF e o Congresso Nacional.

A bronca de Bolsonaro com Celso de Mello é em virtude da divulgação vídeo da reunião ministerial, de 22 de abril, onde o presidente desfere palavrões contra governadores, prefeitos e ministros do Supremo são chamados de “vagabundos” por ministros.

O decano levantou o sigilo do vídeo que foi citado pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro como evidência de tentativa de interferência do presidente na Polícia Federal e faz parte do inquérito que apura as acusações.

A Lei de Abuso de Autoridade foi relatada e discutida pelo ex-senador Roberto Requião (MDB-PR), em 2017, todavia o texto só foi sancionado pelo presidente Bolsonaro em setembro do ano passado –quando o emedebista já não era mais parlamentar.

Veja o tuíte do presidente Bolsonaro: