Boulos: Aumento da população de rua é ‘química explosiva’ em São Paulo

Publicado em 31 julho, 2019
Boulos na Vigília 20

Boulos na Vigília 20Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, publicada nesta quarta (31), Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e candidato do PSOL à presidência da República em 2018,  vê o aumento da população de rua em São Paulo como resultado de uma “química explosiva” que reúne problemas econômicos e descontinuidade de políticas públicas.

Sem ações emergenciais e investimentos de longo prazo, ele prevê possível aumento de “ocupações”. “Não é uma questão da vontade dos movimentos sociais”, diz, mas consequência da situação.

“O aumento [das ocupações] é produto de uma química explosiva. É o encontro do desemprego, da falta de investimento público e da recessão com o esvaziamento das políticas habitacionais. Nós temos, em São Paulo, um déficit habitacional de 360 mil famílias, na estimativa mais recente, o que dá 1,2 milhão de pessoas”, declarou Boulos.

“Sem falar no número de famílias que vivem em situação precária, que são mais de 850 mil. Nós estamos falando de mais 3 milhões de pessoas. Na prática, um terço da população de São Paulo está afetada direta ou indiretamente pelo problema de moradia”, acrescenta Boulos.

Para o líder do MTST,  o corte nos investimentos do programa Minha Casa Minha Vida no ano passado na faixa 1, para os mais pobres, o maior programa habitacional do país, teve um investimento de só 10% do valor comparado com ano de 2013. O que resultou, segundo ele, “em famílias inteiras nas ruas. E isso seguramente vai significar um aumento de ocupações. Não é uma questão da vontade dos movimentos sociais”, disse.

Boulos acredita que são necessárias medidas emergênciais para enfrentar a crise de moradia, mas avisa que somente uma nova política econômica de inclusão e de mais investimentos públicos será capaz de começar inverter a situação de caos social.

Guilherme Boulos também foi perguntado sobre uma possível candidatura à prefeitura de São Paulo em 2020 pelo PSOL. Segundo ele,  a questão ainda é tema de debate no partido e entre os movimentos sociais paulistanos.

O líder do MTST tem se destacado como uma das vozes mais potentes da esquerda na oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

*Com informações da Folha de São Paulo