O Paraná não pode esquecer

O deputado Enio Verri (PT-PR) afirma que o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), não deve ser esquecido pelos paranaenses como “o maior inimigo do seu estado” em virtude do mal que fez à educação pública.

O Paraná não pode esquecer

Enio Verri*

A bem do desenvolvimento educacional, científico e tecnológico do Paraná, é bom que os paranaenses façam um exercício de memorização, neste ano de 2018. A população não pode esquecer quem perpetrou o maior ataque à educação da história do estado. Desde calotes e cassetetes nos profissionais da educação, a desvio de dinheiro destinado a construção de escolas, passando por submeter a autonomia das universidades estaduais aos interesses do mercado privado.

Já em 2011, Richa trai todos os seu discursos de campanha sobre a valorização da educação. Numa canetada, sem consultar a comunidade escolar, inclusive as famílias dos estudantes, passa a unificar as turmas, causando inchaço das salas de aula, com consequente reflexo negativo no aproveitamento escolar dos estudantes. A depredação da Educação paranaense também passou pelos calotes ao Fundo Rotativo, que deixaram as escolas sem condições de manter as atividades educacionais.

Durante uma entrevista, em 2012, ao responder a uma reivindicação da Polícia Militar para exigir formação superior de seus membros, Beto Richa cometeu um ato falho que revelou a plenitude da sua alma tucana de elite. Segundo ele, pessoas que estudam e chegam ao nível superior tornam-se insubordinadas. Isso explica o tratamento dispensado à Educação do estado. Nega e destrói as condições para promover uma educação inclusiva, porque não tolera empregado que questiona, que aponta as contradições entre o discurso da elite e sua prática.

Um governador deve respeitar e defender quem o colocou lá para ser o seu servidor e não um mandatário autoritário e traidor. Deve promover políticas para tirar as pessoas da fome, para que tenham trabalho digno, acesso à educação, desde a pré-escola à universidade. Isso é possível. O Partido dos Trabalhadores, apesar de todos os boicotes de boa parte do Congresso Nacional, desenvolveu essa política durante 13 anos. Não são programas infalíveis, pelo contrário, carecem de aprimoramento. A questão é outra, é a opção que se faz pela política. Ela inclusiva ou é excludente? Para quem se governa?

Os paranaenses devem fazer um cuidadoso retrospecto do papel da educação e do serviço público em geral, nos governos Beto Richa. Quando a/os eleitora/es levarem seus títulos às urnas, não se esqueçam dos R$ 8,5 bilhões que o governador arrancou da ParanáPrevidência, em 2015, debaixo de muitas balas, bombas, spray de pimenta, diante de uma pacífica e estarrecida resistência cívica, que tentou não acreditar que foi covardemente massacrada a mando do governador do estado do Paraná.

Nos enche de esperança notícia de ontem, de que a sessão de abertura da Assembleia Legislativa do Paraná, de 2018, foi suspensa porque uma rebeldia cidadã tomou conta das galerias, aos gritos de “Quadro Negro”. A operação que revela a mesquinhez de servidores públicos que tomam para si recursos destinados a reformar e construir escolas. Pessoas com poderes agem para atrasar o Estado e ganhar dinheiro prometendo educação de qualidade. São servidores que podem ser amigo ou vizinho de alguma família que não terá onde matricular os seus filhos.

A virulência do governador contra o desenvolvimento do estado não se restringe ao Ensino Básico. Seu sabujismo tucano está à mercê de destruir seis universidades estaduais, referências nacionais, para satisfazer o mercado privado de educação de terceiro grau. Richa quer transformar seis academias de produção científica e tecnológica, em consórcios de diplomas. O Sistema RH Meta 4 é a submissão da autonomia universitária e asfixiamento das atividades acadêmicas, a bem dos interesses de um programa de governo deletério que tem prazo para acabar.

Não houve diálogo com as universidades. Desde as pesquisas, até a manutenção dos laboratórios, pagamento de bolsas e material de limpeza, estarão subordinados às contingências de uma Secretaria Fiscal, distante de compreender o universo da produção científica. Fosse subordinada em outra secretaria, não faria diferença, pois o objetivo é destruir. O governador fez terrorismo. Chegou a condicionar o pagamento da folha de janeiro ao ingresso da universidade no sistema. Richa não deve ser esquecido pelos paranaenses como o maior inimigo do seu estado.

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.

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