“Pessuti” de Dilma envia carta com queixas de ser “vice decorativo”

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) esperou cinco anos para, no momento mais vulnerável do mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT), escrever uma carta se queixando de ser um "vice decorativo". O gesto lembrou o ex-governador Orlando Pessuti quando era vice de Roberto Requião, ambos do PMDB. Pessuti costumava reclamar por cargos e por não ter o prestígio que julgava merecer no governo do Estado. Lideranças e analistas políticos encaram a missiva como uma declaração de independência e um aval ao golpe do impeachment.

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) esperou cinco anos para, no momento mais vulnerável do mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT), escrever uma carta se queixando de ser um “vice decorativo”. O gesto lembrou o ex-governador Orlando Pessuti quando era vice de Roberto Requião, ambos do PMDB. Pessuti costumava reclamar por cargos e por não ter o prestígio que julgava merecer no governo do Estado. Lideranças e analistas políticos encaram a missiva de Temer como uma declaração de independência e um aval ao golpe do impeachment.

O vice-presidente da República, Michel Temer, enviou carta à presidenta Dilma Rousseff em que aponta “fatos reveladores” da desconfiança que o governo possui em relação a ele e ao PMDB.

Com a abertura do processo de impeachment pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB), ficou notória a movimentação e a inquietação de Temer ante a possibilidade de assumir a presidência sem ter sido eleito para tal.

Em sua coluna de ontem aqui no Blog do Esmael, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) apontou quem seriam os interessados em concretizar o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (PT). Segundo ela, o peemedebista “está perdendo a razão para a possibilidade de assumir o governo”.

Já o ex-ministro Ciro Gomes carimbou na testa do vice de Dilma a definição de que Temer seria o “capitão do golpe”, articulando o impeachment da presidenta nos bastidores do Congresso.

Por meio do Twitter, a assessoria de Temer informou que a carta foi enviada em “caráter pessoal” a Dilma, e que o vice-presidente se surpreendeu com a divulgação do texto, “em face da confidencialidade”. Ainda segundo os assessores, o vice exortou à reunificação do país, “como já o tem feito em pronunciamentos anteriores”.

Leia a carta na íntegra:

São Paulo, 07 de Dezembro de 2.015.

Senhora Presidente,

“Verba volant, scripta manent”. [As palavras voam, os escritos se mantêm]

Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.

Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.

Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.

Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.

Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.
Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança.

E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.

Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido.

Isso tudo não gerou confiança em mim, Gera desconfiança e menosprezo do governo.

Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1. passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. a senhora sabe disso. perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. só era chamado para resolver as votações do pmdb e as crises políticas.

2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários.

3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.

4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o Ministério em razão de muitas “desfeitas”, culminando com o que o governo fez a ele, Ministro, retirando sem nenhum aviso prévio, nome com perfil técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC.

Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz parte de uma suposta “conspiração”.

5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a coordenação política, no momento em que o governo estava muito desprestigiado, atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal.

Tema difícil porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários.

Não titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste, nada mais do que fazíamos tinha sequencia no governo. Os acordos assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de 60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela coordenação.

6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido.

Os dois ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.

7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente, com a oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento.

Aliás, a primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8 (oito) votos do DEM, 6 (seis) do PSB e 3 do PV, recordando que foi aprovado por apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão equivocada do nosso sistema. E não foi sem razão que em duas oportunidades ressaltei que deveríamos reunificar o país. O Palácio resolveu difundir e criticar.

8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o Vice Presidente Joe Biden – com quem construí boa amizade – sem convidar-me o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio da “espionagem” americana, quando as conversar começaram a ser retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar com o Vice Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado absoluta falta de confiança.

9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores autoridades do país) foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma conexão com o teor da conversa.

10. Até o programa “Uma Ponte para o Futuro”, aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para recuperar a economia e resgatar a confiança foi tido como manobra desleal.

11. PMDB tem ciência de que o governo busca promover a sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso.

A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silencio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade partidária.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.

Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã.

Lamento, mas esta é a minha convicção.

Respeitosamente, \ L TEMER

A Sua Excelência a Senhora

Doutora DILMA ROUSSEFF

DO. Presidente da República do Brasil

Palácio do Planalto

Brasília, D.F.

Com informações da Agência Brasil e do Brasil 247

12 Comentários

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  1. que beleza todos os trairas que estavam camuflado aparecendo kk.vamos ver como vota psdbosta e demonios na comisao de etica do irmao cunhakkkkkkkk

  2. Comentário de outro comentarista:

    “Em declaração à Globo, Temer diz, com todas as letras, que há lastro jurídico para o processo de IMPEACHMENT! Todos aqueles 30 picaretas que mamam nas tetas públicas, que foram apresentados como “juristas” pelo Adams e Cardozo, devem estar com o nariz crescendo. Esse é um ponto pacífico desde a recomendação (técnica) unânime do TCU. De nada adiantaram as milhares e milhares de páginas de defesa apresentadas pelo governo Dilma na tentativa de vencer pelo cansaço – o delito é flagrante e evidente. Sempre houve o fundamento jurídico. Faltava apenas a decisão do presidente da Câmara, que quase frustrou a nação usando seu poder de decisão em proveito próprio. Instaurado o cabível processo e sem argumento de defesa, só restou ao PT e seus cúmplices gritarem que é golpe. Na cara dura, escamoteando o fato de terem destituído o Collor em situação muito menos grave. O julgamento agora é político e, no tocante à isso, esse governo autoritário, mentiroso e traidor já foi julgado e condenado pelo povo. Saberemos agora a quem o Congresso representa: o povo, ou uma organização criminosa que se apossou do país.”

    E agora? o que fazer? em quem acreditar??

    • Quando não há base jurídica, e não há mesmo, apesar da sua insistência mentirosa, é golpe mesmo! Usar subterfúgios, acusações que não responsabilizam a Dilma são sintomas de golpe, sim.
      Em quem acreditar? Na justiça que vai separar o joio do trigo.
      Usam até o argumento que o orçamento para 2016 não fecha (as despesas são maiores do que as receitas) e que isto seria também motivo para o impedimento. Saibam que o orçamento da Holanda não fecha pela quarto ano consecutivo e nem por isso o governo cai, apesar de ser parlamentarista onde uma simples moção de desconfiança da oposição pode derrubar o governo e obrigá-lo a realizar novas eleições.
      O que está acontecendo no Brasil é a oposição, inconformada com a derrota eleitoral em 2014, procurar alfinete em palheiro e nesta procura coloca o Brasil numa situação econômica muito débil. Mostra mais clara foi a constante votação a favor do aumento de despesas bilionárias sem indicar as fontes para pagar estas despesas. Fácil, né? Eu chamo isto de covardia e desrespeito ao povo brasileiro

  3. So falta dizer que Temer ‘e do PSDB. Com um vice desse, quem precisa de oposicao. Temer, Renan Calheiros e Cunha, vao dizer que a presidanta e Lula nao sabiam de nada? Quem sao os cornos de verdade?

  4. Pessuti é chorão e se agarra ao que aparece, discursa em uma linha mas se agarra onde der.

  5. e o q ele mentiu na carta? …. sempre foi decorativo mesmo

  6. O POLÍTICA BRASILEIRA VIROU UM CASO DE ESTUDO PARA O BUTANTAN: Como distinguir a cobra coral verdadeira da falsa? A cobra coral é uma serpente de tamanho pequeno, que possui uma característica muito forte que é seu colorido vivo e brilhante. a cobra coral verdadeira e a falsa são muito semelhantes, inclusive nas cores. Não é uma tarefa fácil identifica-las, e nem é aconselhável o contato com a cobra para não haver acidentes. Que em muitas vezes são irreversíveis resultando em morte (DO MANDATO). SERIA O PMDB UM NINHO DE COBRAS CORAIS? QUEM SABE ELES ADOTAM ESTE BICHO COMO SEU MASCOTE, VIVEM ENGANANDO ATÉ SEUS PARCEIROS DE PARTIDO.

  7. a melhor coisa que a presidente dilma pode fazer é limpar o pmdb de seu governo esse bando de mercenarios que nao tem competencia para colocar um presidente a presidente deveria de aproveitar as poucas pessoas que ainda prestam nesse partido como por exemplo o senador requião esse sim naõ tem dobradiça na espinha e nao se dobra pra essa corja do pmdb….falei….

  8. PMDB sempre foi a m***a de partido, tipo Rubinho Barrichelo da política…

  9. Uai, se era tão desprezado assim porque aceitou concorrer a vice de volta?

  10. Um partido que tem um Cunha nas suas fileiras quer prestígio? Quanta asneira e chororô. Mas choro é livre para os que serão engolidos pelo Lula.

  11. Barbaridade!
    Tô me “lagrimijando” todo de pena desse Temer.
    Alguma esperança do Brasil melhorar com gente assim?