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Venezuela acusa EUA de colonialismo e roubo de petróleo na ONU

Venezuela na ONU acusa os Estados Unidos de agir como potência colonial e tentar se apropriar do petróleo do país. A denúncia foi feita pelo embaixador Samuel Moncada no Conselho de Segurança, com acusações de bloqueio naval, pirataria e guerra eletrônica, e recebeu apoio explícito de Rússia e China.

O representante permanente da Venezuela na Organização das Nações Unidas, Samuel Moncada (diplomata), afirmou que declarações do presidente Donald Trump configuram “confissão de crime de agressão”. Segundo ele, a ameaça de bloqueio total a navios petroleiros “regressa o relógio da história 200 anos” para impor uma condição colonial à Venezuela.

Moncada detalhou ao Conselho episódios recentes no Caribe. Relatou a apreensão de navios em águas internacionais, o sequestro de tripulações e o confisco de carregamentos de petróleo, o que classificou como roubo mediante força militar. Para o diplomata, o precedente é “pior que pirataria” e ameaça a segurança da navegação e do comércio internacional.

O embaixador também denunciou uma campanha de guerra eletrônica no espaço aéreo venezuelano, com interferências em instrumentos de navegação de aeronaves civis. Segundo o relato, houve risco de colisões e impacto sobre rotas regionais, inclusive nas Antilhas holandesas.

Na leitura de Caracas, o chamado bloqueio naval busca asfixiar a economia, degradar capacidades estatais e provocar caos interno para justificar uma agressão armada. Moncada afirmou que a estratégia tenta fabricar uma provocação para invocar indevidamente o artigo 51 da Carta da ONU.

O discurso venezuelano ganhou tração. Rússia classificou as ações como agressão flagrante e violação do direito internacional. China disse se opor a unilateralismo e intimidação, defendendo soberania e dignidade nacionais. Os dois países reiteraram críticas a Washington durante a sessão.

Do lado americano, o embaixador Mike Waltz afirmou que o objetivo das sanções é privar o governo de Nicolás Maduro de recursos do petróleo, acusando o regime de se manter no poder de forma fraudulenta. Autoridades dos EUA sustentam que interceptações enviam “mensagem ao mundo” contra atividades ilegais.

Em reação, a Assembleia Nacional venezuelana aprovou por unanimidade uma lei para garantir liberdade de navegação e comércio contra pirataria e bloqueios, com penas de até 20 anos para financiadores de crimes internacionais. O texto segue para sanção do Executivo.

O embate escalou para o plano político. Trump voltou a pressionar por uma saída de Maduro. O presidente venezuelano respondeu que Washington deveria focar seus próprios problemas. No Conselho, Moncada alertou que a Venezuela seria “o primeiro objetivo de um plano maior” de divisão continental, uma atualização da Doutrina Monroe no século XXI.

O confronto na ONU expõe uma disputa que vai além da retórica. Energia, soberania e regras internacionais estão no centro do tabuleiro. A escalada naval e aérea eleva riscos regionais e testa o multilateralismo. A resposta institucional da Venezuela e o respaldo de Rússia e China indicam que o tema seguirá tensionando a geopolítica.

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