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Frase do dirigente do PL causa urticária na direita e protesto na esquerda
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, comparou Bolsonaro a Che Guevara e chocou a direita e a esquerda ao afirmar, em São Paulo, que o ex-presidente tem “o mesmo carisma” e será lembrado “por décadas”, o que acendeu críticas e ironias de todo lado.
O que foi dito e onde
A declaração ocorreu no seminário da Esfera Brasil, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (25).
Valdemar Costa Neto afirmou que “daqui a 30, 40 anos você vai ver meninos com camiseta do Bolsonaro”, comparando o carisma de Jair Bolsonaro (PL) ao de Ernesto “Che” Guevara (1928–1967).
O dirigente também exaltou a “força de transferência de voto” do ex-presidente.
Trump como “única saída” e pressão externa
No mesmo circuito de falas, Valdemar disse que Donald Trump é “a única saída” e que seguiria atuando em favor de Bolsonaro, num contexto de sanções e tarifaço que vêm tensando a relação bilateral.
O presidente dos EUA justificou medidas ao criticar investigações contra Bolsonaro no STF, que prefara para julgar o ex-presidente Jair “Che” Bolsonaro.
Inelegibilidade até 2030 e ofensiva no TSE
Valdemar reafirmou que pretende pedir revisão da inelegibilidade de Bolsonaro, hoje válida até 2030, quando houver mudança no comando do TSE, citando o ministro Kassio Nunes Marques.
Tarcísio no radar de 2026
Questionado sobre 2026, Valdemar mencionou Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como possível escolhido de Bolsonaro e disse que o governador se comprometeu a se filiar ao PL até o fim do ano.
Situação judicial de Bolsonaro
O ex-presidente está inelegível, é réu no STF por tentativa de golpe e cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto passado por descumprir medidas cautelares, conforme decisões do ministro Alexandre de Moraes.
Por que a comparação choca
À esquerda, a equiparação de Bolsonaro a um ícone revolucionário é vista como apropriação simbólica que tenta reforçar a narrativa de “perseguição” e martírio.
À direita, setores que fazem da rejeição ao “comunismo” um ativo político rejeitam Che como símbolo, e parte da mídia apontou o curto-circuito cultural da fala.
Bastidores e leitura política
Valdemar usa a metáfora para cimentar fidelidade do eleitorado, sustentar a tese de transferência de votos e manter a coalizão unida enquanto aposta em três frentes:
1) revisão da inelegibilidade no TSE;
2) pressão externa capitaneada por Trump;
3) plano B com Tarcísio.
É marketing de confronto que tenta transformar custo jurídico em capital político.
Valdemar recuou da comparação
Após a intensa repercussão nas redes e nos bastidores da política, Valdemar recuou da comparação de Bolsonaro a Che.
“Que fique claro:
Nunca comparei Bolsonaro com Che Guevara, até porque o cubano [sic] era de esquerda e deixei isso claro.
O que eu comparei foi o processo de mitificação e reafirmo: estão transformando Bolsonaro em um mártir, um mito ainda maior do que já é.
Jair é o legítimo líder da nossa direita e continuará sendo.”
Che Guevara era argentino de nascimento.
Entretanto, o que vale é o meme que ficou.
Bolsonaro não é Che
O recado é calculado: ao comparar Bolsonaro a Che, Valdemar tensiona bases e pauta o noticiário.
Líderes não se constroem por slogans, mas por responsabilidade pública.
O Brasil precisa de instituições firmes, justiça sem espetacularização e campanha eleitoral sem bravatas.
Que o debate de 2026 não reescreva a história nem rebaixe a democracia.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




