Tony Garcia entra no DC para enfrentar Moro no Paraná

O empresário Tony Garcia se filiou à Democracia Cristã (DC) e passou a integrar o projeto que tenta erguer no Paraná o palanque presidencial de Aldo Rebelo (DC). No mesmo movimento, Ricardo Gomyde assumiu a presidência estadual da sigla e virou peça central da articulação que quer lançar Tony ao Palácio Iguaçu numa candidatura anti-Moro. A posse de Gomyde no comando do partido ocorreu em 16 de março, em Curitiba, com a presença de Aldo, já apresentado publicamente como pré-candidato do DC ao Planalto.

Segundo apuração do Blog do Esmael, Aldo, Tony e Gomyde farão uma videoconferência para afinar o discurso e fechar o desenho desse palanque no estado. A operação tenta unir a disputa nacional de Aldo com uma candidatura própria ao governo do Paraná.

Gomyde chega ao comando do DC com função maior que a burocracia partidária. Ex-deputado federal, ele passa a ser o operador de uma legenda que procura sair da margem do debate estadual e ocupar espaço na corrida de 2026. A posse foi tratada pelo próprio partido e por veículos locais como um ato com foco eleitoral, já sob a presença de Aldo Rebelo como presidenciável.

Tony, por sua vez, entra no partido carregando um confronto direto com Sergio Moro (PL). Ele sustenta que atuou como informante de Moro no período da Operação Lava Jato, tese que vem explorando politicamente contra o ex-juiz. As acusações de Tony sobre sua atuação como infiltrado já foram registradas em reportagens e no avanço de apurações judiciais ligadas à 13ª Vara Federal de Curitiba.

Esse é o ponto de combustão da chapa em formação. O DC tenta transformar a memória da Lava Jato, ainda muito associada a Curitiba, em trincheira eleitoral contra Moro.

Segundo apuração do Blog do Esmael, a Paraná Pesquisas deverá testar composições de vice para medir temperatura e rejeição no eleitorado. Entre elas, Tony Garcia-Ricardo Gomyde, Guto Silva-Cristina Graeml, Alexandre Curi-Rafael Greca, Rafael Greca-Alexandre Curi e Sergio Moro-Edson Vasconcelos.

A rodada interessa porque a eleição paranaense começou a entrar na fase das combinações, não apenas dos nomes isolados. No campo governista, seguem em circulação hipóteses com Guto Silva, Alexandre Curi e Rafael Greca. No campo da direita bolsonarista, Moro já atua dentro do PL. E agora surge um polo que quer se vender como antagonista direto do ex-juiz, com Tony na cabeça e Gomyde na engrenagem partidária.

No plano nacional, o encaixe atende à estratégia de Aldo. Desde o fim de 2025, ele vem sendo tratado publicamente como nome do DC para a Presidência, e a construção de palanques estaduais é condição básica para dar corpo à candidatura. O Paraná, por tudo o que representa na história da Lava Jato e pelo peso de Moro na política local, virou terreno fértil para essa aposta.

Resta saber se o movimento ganhará musculatura real ou se ficará restrito à promessa de uma frente de enfrentamento. O fato político, por ora, é claro: Tony encontrou legenda, Gomyde assumiu o comando do DC no Paraná e Aldo passou a ter um palanque em montagem no estado.

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