Presidente Lula atualiza reciprocidade enquanto Curitiba vai às ruas contra tarifaço de Trump nesta sexta-feira, às 17 horas
Curitiba será palco, nesta sexta-feira (29), às 17h, de uma manifestação plural em defesa da soberania nacional e contra o “tarifaço” imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ato, batizado de “Meu Brasil Brasileiro”, reunirá nas escadarias da UFPR, na Praça Santos Andrade, juristas, sindicatos, estudantes e entidades da sociedade civil.
O movimento “Meu Brasil Brasileiro” é organizado por mais de 60 entidades, entre elas a OAB-PR, a UFPR e o Instituto Pró Democracia Sempre (IPRODES). O objetivo é responder à escalada tarifária dos EUA, que já atinge setores estratégicos do Paraná, como o madeireiro, responsável por quase 40% das exportações do estado.
Daniel Godoy Jr., presidente do IPRODES, resume a convocatória: “É um chamado à união suprapartidária pela soberania e pela democracia”.
Em entrevista nesta sexta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou não ter pressa em aplicar a recém-sancionada Lei da Reciprocidade Econômica contra os EUA. Segundo ele, o Brasil já acionou a OMC, mas aguarda os trâmites legais:
“Eu não tenho pressa de fazer a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque temos que andar com o processo. Se for andar como todas as leis exigem, vai demorar um ano”.
Lula também falou sobre a possibilidade de um encontro com Trump na Assembleia Geral da ONU, em setembro: “Vai depender dele. Se o Trump quiser conversar, estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia”.
O ataque comercial de Trump repercutiu fortemente no Paraná e em São Paulo. A sobretaxação de 50% sobre produtos brasileiros foi condicionada, de forma inusitada, à retirada da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alvo de processos no STF.
No Paraná, segundo a Faciap, as perdas já somam centenas de milhões de dólares em setores como madeira, papel e móveis. O estado é hoje o 7º maior exportador para os EUA, com US$ 735 milhões em vendas no primeiro semestre de 2025.
Na mesma entrevista, Lula avaliou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é politicamente dependente de Bolsonaro:
“Tarcísio não seria nada sem o Bolsonaro. Ele vai fazer o que Bolsonaro quiser. E ele sabe disso”.
Lula também lembrou que São Paulo, apesar de sua força econômica, já viu vários nomes tradicionais fracassarem em eleições presidenciais.
Durante o ato em Curitiba, será lançado um manifesto que denuncia os prejuízos da dependência externa e reafirma a defesa de um Brasil democrático, soberano e inclusivo.
Márcio Kieller, presidente da CUT-PR, reforça: “Não há negociação quando colocamos em jogo a soberania nacional e a democracia”.
O movimento pretende transformar a mobilização em uma rede permanente de defesa da soberania, unindo diferentes setores sociais e políticos em torno da pauta nacional.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




