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O senador colombiano Miguel Uribe Turbay, uma das principais vozes da oposição ao presidente Gustavo Petro, foi baleado neste sábado (7) durante um evento de campanha em Fontibón, na capital Bogotá. O ataque, com três disparos — um deles na cabeça —, expõe a escalada da violência política na Colômbia às vésperas da corrida eleitoral de 2026.
Pré-candidato da direita alvejado
Uribe Turbay, de 39 anos, é nome forte do partido Centro Democrático — legenda fundada pelo ex-presidente Álvaro Uribe — e vinha se posicionando como pré-candidato à presidência. No momento do ataque, participava de uma agenda pública com correligionários, quando foi atingido por tiros à queima-roupa.
Socorrido em estado grave, foi levado à Fundação Santa Fé. A equipe médica descreve o quadro como delicado. A polícia ainda busca os autores do atentado.
Reação do governo Petro
A presidência da Colômbia publicou nota oficial condenando “categoricamente e energicamente” o ataque, classificando-o como uma ameaça direta à democracia e à liberdade política.
“Ato inaceitável que visa silenciar vozes públicas pela violência”, diz o comunicado.
O presidente Gustavo Petro foi além, usando sua conta na rede X para fazer um pronunciamento dramático e simbólico:
“Oh, Colômbia e sua violência eterna. Querem matar o filho de uma mulher árabe em Bogotá… Máfias da terra, escória da humanidade… Minha solidariedade à família Uribe e Turbay.”
Petro referia-se ao assassinato da mãe de Miguel, Diana Turbay, sequestrada e morta em 1991 por narcotraficantes — num dos episódios mais traumáticos da história política recente do país.
Clima de tensão antes das eleições de 2026
O atentado ocorre em meio ao agravamento da violência política na Colômbia, onde líderes sociais e defensores da paz continuam sendo assassinados com frequência. Além disso, o país vive uma crise humanitária nas regiões periféricas afetadas pelo conflito armado e um ciclo intenso de mobilizações sindicais.
Com eleições parlamentares e presidenciais previstas para 2026, o episódio tende a acirrar ainda mais o clima entre governo e oposição.
Bastidores da guerra política
O ataque a Uribe Turbay não pode ser lido de forma isolada. O Centro Democrático vem travando dura disputa contra as reformas propostas pelo presidente Petro — especialmente nos campos trabalhista, fiscal e ambiental. A legenda representa setores conservadores, empresariais e ligados às Forças Armadas, tradicionalmente resistentes às pautas da esquerda colombiana.
O atentado também remonta à cultura do narcopoder que há décadas permeia a política colombiana, misturando máfias agrárias, paramilitarismo e interesses geopolíticos. O discurso de Petro, ainda que poético, denuncia com precisão: há um projeto de poder que elimina fisicamente o dissenso.
Guerra suja
O tiro contra Miguel Uribe Turbay é um tiro na cabeça da democracia colombiana.
Evidencia a falência das garantias políticas mínimas para o exercício da oposição — ainda mais quando ela parte da direita institucional.
Cabe agora ao governo Petro, às Forças Armadas e à Justiça colombiana demonstrar que o Estado ainda tem o controle da situação. Do contrário, o país pode assistir a uma nova temporada de guerra suja — com sangue, medo e perseguição política em nome do poder.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




