Kathryn Ruemmler, principal advogada do Goldman Sachs, pediu para sair do cargo após a divulgação de e-mails e documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) que expuseram uma relação bem mais próxima com Jeffrey Epstein do que a versão sustentada publicamente. A renúncia foi anunciada nesta quinta (12), com saída efetiva em 30 de junho de 2026.
Ruemmler era Diretora Jurídica e Consultora Geral do banco, além de integrar a engrenagem de “risco reputacional”, justamente o comitê desenhado para evitar que crises de imagem engulam a instituição.
Goldman Sachs é um banco de investimento e grupo financeiro americano, fundado em 1869 e sediado em Nova York, que atua principalmente com grandes empresas, governos e investidores institucionais.
Documentos do DOJ derrubam a narrativa “profissional”
A linha anterior, segundo reportagens, era de que o contato com Epstein teria sido estritamente profissional. O material liberado pelo DOJ, com mensagens e registros de 2014 a 2019, aponta tratamento íntimo em e-mails, conselhos sobre resposta à imprensa e aceitação de presentes de luxo, além de interações sociais que foram além de captação de clientes.
O episódio não é detalhe administrativo. É governança na veia: quando a chefe jurídica e um pilar do comitê de risco reputacional vira o centro do escândalo, a instituição perde o argumento de “controle interno” e fica refém da pressão externa.
O que Ruemmler e o CEO disseram
Em declaração, Ruemmler afirmou que sua responsabilidade era “colocar os interesses da Goldman Sachs em primeiro lugar”, sinalizando que a permanência passou a ser lida como fator de dano.
O CEO David Solomon disse que respeitava a decisão e reconheceu o trabalho dela, mas a mensagem central, repetida em diferentes relatos, é que a atenção da mídia virou “distração” para o banco.
A guerra de versões e o ruído partidário
A saída de Ruemmler também virou munição na disputa política dos EUA: colunistas e sites alinhados à direita tentaram emplacar que “a mídia” estaria encobrindo laços com o governo Barack Obama (Partido Democrata). Só que a própria lista de links citada por esses autores reúne veículos que publicaram o caso, como AP e Reuters, além de outros que trataram do tema nas últimas horas.
Em resumo, o fato relevante não é o palanque, é a contradição documentada entre o discurso “profissional” e o conteúdo revelado nos e-mails, com impacto direto sobre compliance, políticas de presentes e risco reputacional em Wall Street.
Por que isso importa para o poder real
O caso reforça uma lógica conhecida: Epstein funciona como radiografia de redes de influência. Quando arquivos oficiais aparecem, executivos e instituições correm para “estancar” o dano, mesmo que o problema, para o público, seja anterior e mais profundo do que a renúncia em si.
O Goldman tentou sustentar a versão mínima, mas documento não negocia narrativa. Quando a reputação vira passivo, a renúncia vira o único freio possível, ainda que tardio. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



