Nesse latifúndio, caberia ao mandatário cessante indicar vice e senador na chapa do ex-juiz. Do bolsonarismo, em caso de sucesso, renderia uma Itaipu, até ministério, quem sabe.
O governador Ratinho Junior (PSD) colocou o governo em modo eleitoral ao exonerar 19 secretários estaduais na quarta-feira (1º). Na sequência, o coronel Hudson Leôncio Teixeira deixou a Secretaria de Estado da Segurança Pública nesta quinta-feira (2), e a Prefeitura de Curitiba também retirou três secretários da equipe, entre eles o vice-prefeito Paulo Martins (Novo). O calendário andou. A sucessão, não.
A lista de baixas no primeiro escalão estadual mostra o tamanho da operação. Saíram nomes com peso político e eleitoral, como Guto Silva (PSD), Rafael Greca (MDB), Sandro Alex (PSD), Beto Preto (PSD) e o próprio Hudson na Segurança. O Palácio Iguaçu abriu espaço para substituições, mas não fechou o debate principal sobre quem será o herdeiro do grupo governista em 2026.
Em Curitiba, os decretos publicados no Diário Oficial do Município formalizaram a exoneração de Paulo Martins, do Desenvolvimento Econômico, de Professor Euler (MDB), do Esporte, e de Amália Tortato (Novo), do Desenvolvimento Humano. Paulo deixa a secretaria, mas segue como vice-prefeito de Eduardo Pimentel (PSD).
O movimento atende à regra da desincompatibilização. Integrantes do Executivo que pretendem disputar a eleição de 4 de outubro de 2026 precisam deixar os cargos com antecedência mínima de seis meses. Foi esse relógio jurídico que empurrou a debandada administrativa no Estado e na capital.
O problema político está em outro lugar. A troca no secretariado ocorre logo depois de o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (Republicanos), confirmar a filiação ao Republicanos em Brasília na noite de quarta-feira (1º) e oficializar a entrada na disputa pelo Palácio Iguaçu. A saída de Curi do PSD ampliou a pressão sobre Ratinho para definir um rumo.
A indefinição ficou ainda mais visível porque o próprio Ratinho admitiu que pode apoiar até um candidato de outro partido ao governo do Paraná depois do fim da janela partidária. Quando o governador abre essa hipótese, ele reconhece, sem dizer com todas as letras, que ainda não conseguiu unificar o seu campo em torno de um nome.
O resultado é um bloco governista em rearranjo, mas sem comando sucessório consolidado. Ratinho cumpre o calendário, mexe nas peças e reorganiza a máquina. Só continua adiando a decisão que interessa de fato ao seu grupo: quem vai entrar na praça para defender o legado do governo.
A máquina já saiu do modo administrativo e entrou no terreno eleitoral. Falta saber se Ratinho conseguirá transformar essa dança de cadeiras em candidatura única ou se verá a própria base se espalhar antes da largada oficial.
Ratinho também abre a possibilidade de não decidir nada até agosto, quando, em tese, poderia anunciar apoio ao senador Sergio Moro (PL), ao Palácio Iguaçu, e ao candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL). Nesse latifúndio, caberia ao mandatário cessante indicar vice e senador na chapa do ex-juiz. Do bolsonarismo, em caso de sucesso, renderia uma Itaipu, até ministério, quem sabe.
Os sinais do flerte com Moro são fortes, como diria Ricardo Gomyde, líder da Democracia Cristã. Fortes sinais, que inclui a indicação do marqueteiro de Ratinho para Flávio Bolsonaro, como mostrou em primeira mão o Blog do Esmael.
Note, caro leitor, outro forte sinal de há coisas acontecendo debaixo dos lençóis. O vice Paulo Martins, dileto amigo do governador, até prova em contrário, continua o Novo, partido que formalizou apoio a Moro em detrimento à candidatura do PSD.
Não é de somenos as últimas movimentações do governador, que, a despeito de seus companheiros de caminhada, filiou a adversária lavajatista Cristina Graeml no PSD, e inaugurou o período de canibalismo político no seu próprio grupo entre Curi, Greca, Guto, Beto Preto, Martins, Pimentel, Leonaldo Paranhos, Sandro Alex, dentre outros. Não se trata, porém, de erro de Ratinho Júnior, mas de método político.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




