O governador Ratinho Junior (PSD) conduz uma obra que saiu de R$ 386,9 milhões no contrato original para um montante de R$ 488,8 milhões no detalhamento mais recente consultado no Portal da Transparência. A conta da Ponte de Guaratuba avançou cerca de R$ 102 milhões, com aditivos firmados já durante a execução da obra.
O documento enviado ao Blog do Esmael pelo leitor comprova, por si só, um salto robusto. No 3º termo aditivo, assinado em 22 de outubro de 2025, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) majorou o contrato em R$ 51.557.173,46, alta de 13,3244%, e levou o valor global de R$ 427.001.235,23 para R$ 478.558.408,69.
Não foi um ajuste lateral. O DER incluiu novos serviços de terraplanagem, drenagem, pavimentação, sinalização, obras complementares e contenções. O mesmo aditivo registra ainda reforço de garantia de R$ 15.467.152,03 pago pela contratada.
O ponto central é este: a ponte sempre foi uma reivindicação legítima do Litoral, mas isso não autoriza obscuridade na conta. O contrato original, autorizado em dezembro de 2022, previa prazo de 960 dias corridos e valor de R$ 386.939.000,00.
Depois disso, a obra foi sendo empurrada para cima. Levantamento publicado em dezembro de 2025, com base no Portal da Transparência, apontou reajuste de R$ 29.071.033,18 ainda em junho de 2023, elevando o contrato para R$ 416.010.033,18; um 1º aditivo de R$ 10.991.202,05 em junho de 2025 para alteamento de linha de transmissão de alta tensão; e um 2º aditivo, em agosto de 2025, que prorrogou a execução em mais 257 dias, de 960 para 1.217 dias.
No fim da sequência, o detalhamento contratual consultado pelo Blog do Esmael já indicava R$ 488.804.650,10. Em números frios, a obra ficou 26,3% mais cara do que no ponto de partida.
O dado pesa ainda mais porque o próprio Blog do Esmael levantou essa bandeira em 2012, quando a luta era tirar a ponte do papel e aposentar o ferry-boat. Defender a obra nunca significou aceitar cheque em branco para aditivos sucessivos.
Transparência, neste caso, não é disputa eleitoral. É cidadania. A população de Guaratuba, Matinhos e de todo o Paraná tem o direito de saber quanto vai pagar, por que vai pagar e se a fatura ainda pode crescer.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




