Blog do Esmael, direto de Brasília – O Congresso amanhece sob tensão enquanto a Polícia Federal deflagra uma megaoperação contra o Grupo Refit, da antiga refinaria de Manguinhos. A ofensiva, com 190 alvos em seis unidades da federação, aterra diretamente no entorno político do senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder influente do Centrão, justamente no dia em que deputados e senadores decidem o futuro dos 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A movimentação da PF mexe no tabuleiro antes de uma das sessões mais duras desta legislatura, marcada por pressões cruzadas sobre licenciamento ambiental, regras fiscais e disputas internas na base do governo.
A operação Poço de Lobato reúne mais de 600 agentes públicos e foca no suposto esquema milionário de sonegação, fraude aduaneira, lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial envolvendo o Grupo Refit, que segundo investigações movimentou R$ 70 bilhões em um único ano e acumula dívidas bilionárias com o Fisco. As apurações apontam para uma rede sofisticada de holdings, fundos de investimento, offshores e instituições financeiras usadas para ocultar receitas e driblar o recolhimento de tributos.
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O bloco governista monitorava desde cedo o impacto político da ação, já que o empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, aparece em documentos ligados a investigações que respingam no entorno do PP. Em paralelo, aliados de Ciro Nogueira já vinham sendo atingidos por outras operações recentes, reforçando o desgaste do senador a menos de um ano das eleições de 2026.
No Congresso, líderes avaliavam reservadamente que a operação adiciona ruído à apreciação dos vetos, sobretudo ao clima já dividido sobre o licenciamento ambiental. O governo tenta preservar integralmente os 63 trechos barrados por Lula em agosto, sob o argumento de que flexibilizariam o controle ambiental e abririam brechas para impactos irreversíveis em áreas sensíveis. A base mais ruralista, porém, tenta derrubar pontos estratégicos da lei.
Nos corredores do Senado, a leitura é que a ofensiva da PF enfraquece a capacidade do Centrão de impor derrotas ao Planalto nesta quinta-feira, já que atinge diretamente figuras influentes nos bastidores da negociação dos vetos. A prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL), decretada dias atrás, já havia abalado o eixo de articulação da direita, que entra na sessão com lideranças fragmentadas e foco disperso.
As investigações mostram que o Grupo Refit teria criado um labirinto fiscal, com empresas sobrepostas, operações interestaduais simuladas e uso de fundos fechados para ocultar lucros. O prejuízo estimado supera R$ 26 bilhões apenas em dívidas inscritas. Parte dos recursos teria sido direcionada para compra de imóveis, participação em negócios e movimentações no exterior, inclusive por offshores sediadas em Delaware, nos Estados Unidos.
Enquanto isso, o Congresso se prepara para uma votação com placar incerto. A atenção do mercado, da sociedade civil e da bancada ambientalista está voltada para os vetos do licenciamento, mas o Planalto tenta evitar derrotas também em pontos ligados à organização administrativa, regras fiscais e políticas públicas sensíveis.
Para parlamentares experientes, o cruzamento entre operação policial e sessão de vetos recoloca o tema da responsabilidade fiscal e da disputa por espaços econômicos dentro do Estado. A PF, a Receita Federal, o Ministério Público e secretarias de Fazenda estaduais vêm endurecendo a cobrança sobre grandes devedores, afetando setores que historicamente dialogam com o Centrão.
O Planalto não comentou a operação, mas auxiliares do presidente avaliaram que o ambiente favorece a defesa dos vetos, ao reduzir a capacidade de pressão dos grupos mais alinhados ao lobby do setor de combustíveis e às lideranças envolvidas em investigações paralelas.
O Blog do Esmael acompanha em tempo real os desdobramentos políticos da sessão, que deve atravessar o dia e reordenar forças no Congresso.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




