Paraná Pesquisas mede Lula e Flávio Bolsonaro colados no voto firme

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como o nome mais conhecido da política brasileira, mas os recortes da Paraná Pesquisas divulgados nesta terça-feira (31) trouxeram um dado que mexe com a disputa de 2026: no potencial eleitoral entre os eleitores que conhecem os dois nomes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece praticamente colado em Lula no voto firme, com 30,1%, ante 30,4% do petista.

A peça registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00873/2026 não traz cenário clássico de primeiro ou segundo turno. O levantamento mede grau de conhecimento e potencial eleitoral, ou seja, o tamanho da marca política de cada nome, sua margem de crescimento e sua rejeição. Foram ouvidos 2.080 eleitores em 158 municípios, entre 25 e 28 de março, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e grau de confiança de 95%.

No quesito conhecimento, Lula continua em outro patamar. Segundo a pesquisa, 83,3% dos entrevistados dizem conhecê-lo bem, 15,6% afirmam conhecê-lo apenas de ouvir falar e só 1,1% dizem não conhecê-lo. Flávio Bolsonaro ainda percorre outro caminho: 36,8% afirmam conhecê-lo bem, 54,5% dizem conhecê-lo apenas de ouvir falar e 8,7% ainda não o conhecem. O retrato é simples: Lula já ocupa quase todo o espaço de notoriedade nacional, enquanto Flávio Bolsonaro segue em processo de expansão.

Esse movimento fica ainda mais visível na série de janeiro a março. O percentual dos que dizem conhecer bem Flávio Bolsonaro subiu de 34,9% em janeiro para 36,8% em março, enquanto o desconhecimento caiu de 12,4% para 8,7%. Lula, por sua vez, permanece estável num patamar altíssimo de reconhecimento, saindo de 82,1% em janeiro para 83,3% em março entre os que dizem conhecê-lo bem.

Quando a pesquisa entra no potencial eleitoral, o recorte aperta. Entre os que conhecem Lula, 30,4% dizem que com certeza votariam nele para presidente, 21,4% poderiam votar e 47,0% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Entre os que conhecem Flávio Bolsonaro, 30,1% dizem que com certeza votariam nele, 24,6% poderiam votar e 44,1% rejeitam seu nome de forma absoluta. Lula mantém ligeira vantagem no voto firme, mas Flávio Bolsonaro aparece um pouco melhor na faixa dos eleitores ainda conversíveis.

A série mensal também ajuda a entender o momento. Flávio Bolsonaro cresceu no voto certo, de 26,3% em janeiro para 30,1% em março. Lula oscilou pouco nesse mesmo indicador, saindo de 31,5% para 30,4%. Ao mesmo tempo, a rejeição de Lula avançou de 45,3% para 47,0%, enquanto a de Flávio Bolsonaro ficou praticamente estável, em torno de 44%. O dado interessa diretamente ao bolsonarismo porque mostra um nome ainda em crescimento de conhecimento nacional sem explosão equivalente na rejeição.

Os recortes sociais também desenham dois Brasis eleitorais. Lula vai muito melhor entre os beneficiários do Bolsa Família, grupo em que 44,2% dizem que com certeza votariam nele e 27,6% dizem rejeitá-lo. Flávio Bolsonaro, nesse mesmo segmento, marca 19,2% de voto firme e 55,4% de rejeição. Já entre os que não recebem o benefício, Flávio Bolsonaro chega a 32,5% de voto certo, contra 27,0% de Lula.

O recorte religioso também pesa. Entre quem participou de missa, culto ou outra cerimônia religiosa nos dez dias anteriores à entrevista, Flávio Bolsonaro marca 35,6% de voto firme e 38,2% de rejeição. Lula, nesse grupo, tem 26,6% de voto firme e 52,9% de rejeição. Entre os que não participaram de celebração religiosa, o quadro se inverte em parte: Lula sobe para 34,3% de voto certo, enquanto Flávio Bolsonaro cai para 24,1%.

Há ainda um recorte de gênero e escolaridade que chama atenção. Flávio Bolsonaro vai melhor entre homens, com 35,6% de voto firme, contra 25,0% entre mulheres. Lula tem desempenho mais equilibrado, com 29,4% entre homens e 31,2% entre mulheres. No ensino superior, Lula é quase universalmente conhecido, com 89,1% dizendo conhecê-lo bem, mas sua rejeição chega a 54,4%. Flávio Bolsonaro, nesse mesmo grupo, é conhecido bem por 48,8% e registra 32,7% de voto firme.

O dado político mais importante desses recortes não está numa liderança folgada, mas na natureza da polarização. Lula continua sendo o nome mais consolidado da cena nacional, porém já enfrenta um teto duro de rejeição. Flávio Bolsonaro ainda está distante da notoriedade do presidente, mas cresceu o bastante para encostar no voto firme entre os eleitores que já sabem quem ele é. Isso não resolve a eleição, mas mostra que a direita bolsonarista encontrou um ativo competitivo fora da figura do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O retrato desta terça-feira não mede voto fechado de turno, mas entrega duas conclusões objetivas: Lula domina a memória nacional, enquanto Flávio Bolsonaro encurtou a distância no potencial eleitoral entre os eleitores que o conhecem.

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