A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) vai retomar o périplo político pelo país a partir de Londrina, no norte do Paraná, após a sinalização de Tarcísio de Freitas (Republicanos) de que pode desistir da disputa presidencial em 2026.
Segundo apuração do Blog do Esmael, o governador de São Paulo ficou abalado com dois fatos recentes: o crescimento de Lula (PT) nas pesquisas de intenção de voto e a confirmação de que o presidente disputará o quarto mandato.
Diante da fraquejada de Tarcísio, o bolsonarismo reativa a “operação Michelle”, vista como a alternativa mais viável para manter o campo da extrema direita competitivo nas urnas.
Segundo pesquisa Pulse Atlas-Bloomberg, divulgada nesta semana, Lula aparece vencendo no primeiro turno com 51%, enquanto Michelle chega a 26%.
A primeira parada será Londrina, no dia 8 de novembro, quando Michelle participará de um evento político organizado pelo deputado federal Filipe Barros (PL-PR), pré-candidato ao Senado. O encontro está marcado para as 8h da manhã, no Buffet Planalto.
O evento é tratado como um ato de mobilização e reafirmação de lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e em prisão domiciliar desde agosto.
Em abril, Bolsonaro revelou ter firmado um acordo político com o governador Ratinho Júnior (PSD), garantindo que o PL teria a primeira vaga ao Senado em 2026, para Filipe Barros, e a segunda ficaria sob controle de Ratinho, “para ele ou quem indicar”.
Ratinho Júnior também se apresenta como pré-candidato à Presidência da República. No entanto, ele ainda precisará de um novo partido para viabilizar o projeto, já que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, tende a apoiar Lula caso se confirme a desistência de Tarcísio e o governador paulista opte pela reeleição.
O gesto de Michelle em Londrina, berço político de Barros, é visto como ensaio da candidatura presidencial. Dirigentes do PL afirmam que a ex-primeira-dama se tornou a principal líder capaz de unir o bolsonarismo em meio à crise e à ausência do marido da vida pública.
Internamente, o partido avalia que Michelle pode herdar o eleitorado radical de direita, especialmente nos estados do Sul, e humanizar a imagem da sigla após os desgastes judiciais da família Bolsonaro.
Com a direita órfã de um nome competitivo e Tarcísio titubeante, a volta de Michelle aos palcos políticos marca o reposicionamento estratégico do PL no tabuleiro eleitoral de 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




