O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, entrou no xadrez do Paraná nesta segunda-feira (15) para cobrar do governador Ratinho Junior (PSD) o cumprimento do acordo que empurrou Alexandre Curi (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), para a disputa ao Senado. A consequência é direta: se o PSD insistir em abrir espaço majoritário para Cristina Graeml (PSD), Rafael Greca (MDB) pode virar o ponto de fuga de uma ala inteira da base governista.
O Blog do Esmael apurou que Marcos Pereira está descontente com Ratinho. A promessa do mandatário cessante era de apoio total a Curi na corrida ao Senado. Com a filiação de Graeml ao PSD e a hipótese de candidatura dela à mesma vaga, essa garantia deixou de ser líquida para o Republicanos.
O incômodo não é pequeno porque Curi não é um aliado periférico. Ele preside a Alep, opera a maioria governista e tem sustentado, no Legislativo, o ambiente político que Ratinho vende como prova de estabilidade. O problema é que estabilidade, em ano eleitoral, custa caro. E o preço cobrado pelo Republicanos é a palavra empenhada pelo governador.
A tensão nasce de uma conta simples. Curi aceitou sair da disputa ao governo e caminhar para o Senado depois de Ratinho escolher Sandro Alex (PSD) como herdeiro no Palácio Iguaçu. O gesto reorganizou a base. Agora, a entrada de Cristina Graeml no grupo ameaça reabrir a disputa por espaço na chapa majoritária.
O Republicanos não quer Graeml na disputa ao Senado contra Curi. Segundo interlocutores ouvidos pelo Blog, a legenda admite a jornalista na vice de Sandro Alex ou em uma candidatura à Câmara Federal. O que o partido não aceita é ver a recém-chegada ao PSD atravessar a faixa eleitoral prometida ao presidente da Alep.
Há também um componente de poder nacional. Marcos Pereira não fala apenas como dirigente partidário em Brasília. Ele fala como chefe de uma sigla que tem Curi como ativo no Paraná e não pretende ser tratada como linha auxiliar do PSD. A leitura no Republicanos é que Ratinho usou Curi para organizar a transição, mas agora flerta com outro arranjo para acomodar Graeml.
Enquanto Curi assopra a agenda de Sandro Alex no Paraná, o comando nacional do Republicanos morde em Brasília. A cobrança é objetiva: ou Ratinho cumpre o acordo de eleger Alexandre Curi ao Senado, ou o partido se reserva o direito de mudar o palanque estadual.
Esse movimento abre uma avenida para Rafael Greca. O ex-prefeito de Curitiba e pré-candidato do MDB ao governo deixou o PSD, rompeu o roteiro desenhado pelo Palácio Iguaçu e tenta construir uma alternativa própria na sucessão estadual. Se o Republicanos se deslocar, Greca pode ganhar aquilo que hoje lhe falta: volume partidário.
A conta não para no Republicanos. União Brasil, Progressistas (PP) e Podemos formam, no Paraná, uma coalizão informal que conversa de forma cruzada e observa a mesma disputa por sobrevivência eleitoral. Onde um for, os demais poderão ir atrás. É esse efeito dominó que preocupa o Palácio Iguaçu.
Para Sandro Alex, o risco é evidente. O pré-candidato do PSD ainda precisa provar que herdou votos, prefeitos e estrutura de Ratinho. Se Republicanos, União, PP e Podemos começarem a olhar para Greca, a candidatura governista perde musculatura antes mesmo das convenções partidárias.
O calendário torna a crise mais perigosa. As convenções ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. Até lá, cada partido tentará converter promessa em lugar real na chapa, tempo de televisão, fundo eleitoral e proteção para suas bancadas. No papel, Ratinho ainda controla a máquina. Na prática, os aliados querem saber quem terá garantia de chegada.
A presença de Cristina Graeml desorganiza esse arranjo porque ela chegou ao PSD como ativo eleitoral para dialogar com a direita curitibana, mas passou a disputar espaço com aliados que já estavam na fila. Para Curi, a hipótese de Graeml ao Senado transforma acordo em concorrência. Para o Republicanos, transforma lealdade em risco.
O Palácio Iguaçu tem um dilema. Se banca Graeml ao Senado, irrita Curi e abre crise com Marcos Pereira. Se desloca Graeml para a vice ou para a Câmara Federal, reduz o atrito com o Republicanos, mas pode frustrar a operação que tentou capturar parte do eleitorado bolsonarista-lavajatista em Curitiba.
Greca observa essa disputa com interesse. Seu palanque, até aqui, depende de atrair partidos que se sintam preteridos pelo PSD. A eventual migração do Republicanos e de aliados informais daria ao emedebista estrutura, capilaridade municipal e argumento político contra Sandro Alex: o de que Ratinho não consegue manter a própria base unida.
A apuração registra movimento de pressão, não anúncio oficial de ruptura. Mas, em política, ameaça pública costuma chegar depois do recado privado. E o recado já circula: Marcos Pereira exige que Ratinho escolha entre cumprir o acordo com Curi ou correr o risco de ver Greca engordar o palanque com partidos que hoje ainda orbitam o governo.
O caso expõe a fragilidade do projeto de continuidade no Paraná. Ratinho quer sair do governo com sucessor, bancada e Senado organizados. Mas a entrada de Graeml no PSD mostrou que o problema do Palácio não está apenas nos adversários. Está dentro da própria mesa de aliados.
Continue acompanhando os bastidores da sucessão no Paraná pelo Blog do Esmael.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




