O presidente Lula (PT) defendeu o fim da jornada 6×1 ao dizer que o mundo do trabalho mudou, a tecnologia elevou a produtividade e chegou a hora de garantir mais bem-estar, com dois dias de descanso semanal, sem redução salarial.
Lula fez a defesa na segunda-feira (23), em Seul, no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, ao lado do presidente sul-coreano Lee Jae-myung. Lula usou a ideia de “sociedade do cansaço”, popularizada pelo filósofo Byung-Chul Han, para sustentar que a pressão por desempenho desequilibra vida e trabalho.
O recado tem alvo interno claro: o Congresso Nacional, onde tramita proposta para ampliar o descanso semanal mínimo, ponto associado ao debate sobre a escala 6×1. No Senado, a PEC 148/2015 é citada como uma das bases do tema e prevê mudança gradual.
No pano de fundo, Lula encaixou a pauta trabalhista em uma estratégia de desenvolvimento e reindustrialização. Em Seul, ele reforçou multilateralismo, criticou protecionismo e defendeu um Estado indutor em setores estratégicos, enquanto o governo anunciava acordos bilaterais em agricultura, tecnologia, medicamentos e intercâmbio cultural e educacional, além de um plano de ação para os próximos anos.
A fala mira um dilema político que a direita costuma explorar como “custo” e o governo tenta recolocar como “ganho social”: produtividade existe para caber no lucro ou para devolver tempo às pessoas. Ao citar a Coreia do Sul, Lula também buscou um contraste, investimento pesado em educação e tecnologia, para dizer que reduzir jornada exige, junto, um salto de qualificação e inovação.
Em meio a esse debate, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que “jornalões torturam os números pra fazer manchete contra o fim da escala 6×1“. Ela se refere à Folha e Estadão, que lideram a campanha contrária à redução da jornada dos trabalhadores.
Dito isso, o debate do 6×1 só fica de pé com transparência de números, regras de transição e compromisso real de fiscalização, porque “bem-estar” sem desenho e sem cobrança vira slogan.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




