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O alerta veio ao vivo, direto dos estúdios da GloboNews: Cuidado com a jararaca, que ainda é muito competitiva! A frase é de Felipe Nunes, diretor da Quaest, que voltou ao radar nesta semana ao analisar os dados mais recentes da pesquisa sobre a corrida presidencial de 2026.
Embora o termo “jararaca” não tenha sido usado textualmente por Felipe Nunes, esta página o resgata como licença poética, em alusão à célebre metáfora de Lula.
Apesar da elevada rejeição, Lula ainda é o nome mais temido nas planilhas de cálculo eleitoral. A comparação com 2021, feita pelo próprio Nunes, reforça essa ideia: naquela época, o petista liderava com dez pontos sobre Jair Bolsonaro, mas o desfecho do segundo turno foi apertado.
Moral da história? A máquina de governo faz diferença — e o lulismo ainda pulsa nas bases. Ou seja, a máquina que funcionou para Bolsonaro pode funcionar para Lula em 2026.
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Bastidores da Quaest e o medo da continuidade
Segundo o levantamento, 45% dos brasileiros afirmam ter medo da volta de Bolsonaro. Mas, surpreendentemente, 40% também temem a permanência de Lula. É um dado que reflete não apenas a polarização, mas, segundo o analista da Quaest, o esgotamento do eleitor médio diante da repetição do duelo político.
Esse esgotamento foi tema, inclusive, do encontro de governadores promovido por Tarcísio de Freitas e Michel Temer em Nova York, no mês passado. A reunião buscou estruturar uma “terceira via viável” e ensaiar um novo pacto federativo, longe da disputa entre lulismo e bolsonarismo.
Nunes foi direto: “Talvez os dois principais nomes de 2026 devessem desistir. Eles estão cansando o eleitorado.”
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A jararaca política resiste — e com veneno
O mais intrigante, porém, é o subtexto da fala do diretor da Quaest: Lula ainda assusta porque, mesmo cercado por crises, críticas e uma taxa alta de rejeição, continua vivo no jogo. Como ele próprio disse em 2016, no auge da Lava Jato: “Se tentaram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo. A jararaca tá viva, como sempre esteve.”
A metáfora continua atual. A máquina do Estado, os programas sociais, os laços sindicais e a articulação no Congresso dão fôlego ao projeto lulista. A depender do desfecho do tabuleiro da direita — que ainda busca um nome com densidade eleitoral — Lula pode chegar ao segundo turno como franco favorito, mesmo sob fogo cerrado.
Por que ainda temem Lula?
O ponto central da análise de Nunes não é apenas estatístico. É político. Lula assusta porque, mesmo com todas as adversidades, segue competitivo. E porque ainda tem capital político suficiente para unir campos progressistas e atrair parte do centro pragmático.
O bolsonarismo, por outro lado, vive sua travessia no deserto. Sem a presença direta de Bolsonaro nas urnas — inelegível até 2030 — a direita tradicional busca uma alternativa que fale com o povão e com o mercado. Até agora, não encontrou.
Por isso, a velha mídia, o sistema financeiro e parte da elite política continuam desconfortáveis. Não por amor à democracia, mas pelo risco de que a jararaca volte a morder.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




