Morreu o reverendo e líder dos direitos civis dos EUA, Jesse Jackson, aos 84 anos. A família informou nesta terça-feira (17) a morte do pastor batista que virou um dos principais herdeiros políticos do legado de Martin Luther King Jr. e abriu caminho para candidaturas negras competitivas na corrida presidencial americana.
Jackson ganhou projeção nacional ao combinar púlpito, rua e negociação com poder econômico, num tempo em que o Partido Democrata ainda tratava a base negra como “eleitorado garantido”, mas não como centro de decisões.
Ele foi um rosto central do pós-1968, quando o assassinato de King deixou um vácuo de liderança e um país dividido entre o avanço formal de direitos e a permanência do racismo estrutural na renda, no emprego e no acesso a serviços.
A estratégia de Jackson passou por organização permanente. Em 1971, ele fundou a Operation PUSH, sigla de “Pessoas Unidas para Servir à Humanidade”, com foco em justiça econômica e pressão por oportunidades para comunidades negras, e mais tarde articulou a Coalizão Nacional Arco-Íris, que viraria marca do seu discurso de coalizão multirracial.
Na política eleitoral, Jesse Jackson empurrou as portas por dentro. Suas campanhas nas primárias democratas de 1984 e 1988 transformaram participação em votos, colocaram temas como desigualdade no centro do debate e mostraram que um candidato negro podia “dar jogo” fora do gueto eleitoral.
Na saúde, a família não detalhou local nem causa da morte. O líder dos direitos civis convivia com diagnósticos ligados a doenças neurológicas, incluindo Parkinson e, mais recentemente, a síndrome supranuclear progressiva (PSP), condição degenerativa que afeta movimento e fala.
O impacto de Jackson atravessou fronteiras. Além da militância doméstica, ele também teve papel em missões e negociações humanitárias, o que ajudou a consolidar sua imagem de liderança com capacidade de pressionar e dialogar com governos e instituições.
No Brasil, sua trajetória costuma voltar ao debate sempre que a extrema direita tenta carimbar políticas de igualdade como “privilégio” e quando a imprensa corporativa trata racismo e pobreza como temas laterais. Jackson insistiu no oposto, sem justiça racial e econômica, a democracia vira promessa vazia para quem vive na margem.
Quando um país perde um líder desse tamanho, não é só um nome que sai de cena, é um tipo de coragem pública que faz falta.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




