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Instagram proibido para menores de 16: governo impõe nova restrição à rede social

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O Ministério da Justiça subiu o tom contra os riscos digitais. Nesta quarta-feira (11), a pasta reclassificou o Instagram como inadequado para menores de 16 anos, citando a presença recorrente de conteúdos violentos, sexualizados e com apologia a drogas. A nova diretriz já está em vigor no Google Play.

Até então, a plataforma era indicada para maiores de 14 anos. A App Store, da Apple, ainda não atualizou a informação, mas deve seguir a decisão. A medida foi publicada no Diário Oficial da União e passa a valer como referência para pais, escolas e políticas públicas de proteção à infância.

Governo aponta falhas no conteúdo do Instagram

A decisão decorre de uma análise técnica conduzida pela Secretaria Nacional de Justiça, que identificou a presença de conteúdos com nudez, erotização, mutilação, consumo de drogas ilícitas, violência extrema e sexo explícito. Tais elementos, segundo o ministério, exigem uma classificação mais rigorosa, conforme os critérios definidos no Guia Prático de Audiovisual.

A pasta argumenta que a medida não fere a liberdade de expressão, mas busca proteger crianças e adolescentes do contato precoce com material que possa comprometer seu desenvolvimento emocional e cognitivo.

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Rede social poderá recorrer, mas governo quer sinal político

O Instagram poderá apresentar recurso. Em nota, a plataforma criticou a metodologia do governo brasileiro e afirmou que a classificação ignorou medidas de proteção já implementadas, como a “Conta de Adolescente”, lançada em fevereiro para usuários de 13 a 17 anos, que restringe o acesso a conteúdos sensíveis e dá mais controle aos responsáveis.

Ainda assim, o governo brasileiro pretende notificar o IARC — coalizão internacional de classificação indicativa — sobre a decisão. A movimentação pode provocar repercussões globais, já que o Brasil é uma das maiores bases de usuários do Instagram no mundo.

Classificação de redes sociais passa a ser regra

Em declaração pública, a secretária de Direito Digital, Lílian Cintra de Melo, reforçou que a classificação indicativa não se limita mais a filmes ou televisão. “Também se aplica a aplicativos e redes sociais. É um instrumento para empoderar as famílias na mediação do uso de tecnologia”, afirmou.

A mudança ocorre em meio à consulta pública aberta pelo Ministério da Justiça sobre a atualização do sistema de classificação indicativa. Uma das propostas prevê a criação de um aplicativo de controle parental nacional, que possa bloquear conteúdos ou aplicativos por faixa etária, de forma unificada.

Impacto em outras plataformas e no debate regulatório

Com a nova classificação, o Instagram se alinha ao Facebook, também indicado para maiores de 16 anos. O TikTok segue com a recomendação mínima de 14 anos, e o X (ex-Twitter) é restrito a maiores de 18 no Brasil.

A decisão pode reacender o debate sobre responsabilidade das plataformas em garantir ambientes seguros para o público infantojuvenil. A medida também pressiona outras redes sociais a revisar suas políticas de moderação, transparência algorítmica e controle de exposição.

Cerco às redes sociais

O cerco às redes sociais ganha uma nova etapa no Brasil. Ao reclassificar o Instagram, o governo federal sinaliza que o ambiente digital não está imune às regras de proteção da infância.

Num cenário onde os algoritmos influenciam comportamentos e moldam subjetividades, a decisão representa um marco na disputa entre tecnologia e regulação pública.

Compartilhe esta análise. O debate sobre infância, redes sociais e responsabilidade digital é urgente — e coletivo.