Generais gordinhos comandaram batalhas decisivas e moldaram a história militar moderna. Henry Knox, obeso na guerra da independência americana, reorganizou a artilharia que garantiu vitórias a George Washington. Zachary Taylor, também corpulento, venceu a guerra contra o México e acabou presidente dos EUA. Churchill, na linha de frente política da Segunda Guerra, nem disfarçava a barriga que acompanhava charutos e copos de uísque.
Todos, de alguma forma, provam que gordura não foi barreira para a estratégia, o comando e a vitória. A corpulência sempre foi motivo de caricatura, mas também um traço de poder e presença. O inimigo, no campo de batalha, não olha para a cintura. Olha para a coragem e para a capacidade de decidir.
Eis o paradoxo: Donald Trump, político gordinho por excelência, decretou uma cruzada contra os generais gordos. O presidente americano, que tem peso estimado em 120 kg, embora tenha declarado 98 kg para 1,91 de altura, números contestados por fontes que falam em 1,88 m, impôs padrões de corpo que podem levar militares à demissão caso não emagreçam.
O decreto, assinado pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, ordena medir a circunferência da cintura e exige testes de aptidão física regulares. Quem não atingir as metas será enviado para “programas de recuperação”. A gordofobia virou política de Estado sob aplauso da Casa Branca.
É curioso pensar que Trump, fruto da linhagem simbólica dos generais gordinhos, nega sua própria natureza ao tentar enquadrar o Exército num padrão estético. O mesmo Trump que gosta de se exibir como comandante supremo, mas que carrega na silhueta a prova viva de que liderança não se mede em centímetros de abdômen.
A história mostra que não foram os tanquinhos de academia que ganharam guerras, mas cérebros capazes de decidir em momentos críticos. A vitória, no fim das contas, sempre foi mais pesada do que a balança.
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