O Chega, partido da extrema direita portuguesa, sofreu uma dura derrota nas eleições municipais de 12 de outubro de 2025.
A legenda, que sonhava conquistar até 30 prefeituras, ficou com apenas três entre as 308 disputadas.
O revés passou quase despercebido fora de Portugal, mas revela um limite claro ao avanço do populismo ultranacionalista no país.
O partido de André Ventura, que obteve 23% dos votos nas legislativas de maio e se tornou a principal força de oposição no Parlamento, caiu para 12% nas autárquicas.
Seu desempenho local foi superado até por candidatos independentes e pelo Partido Comunista, a CDU, que elegeu 12 prefeituras.
O mapa político português voltou a girar em torno dos partidos tradicionais.
O Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita, conquistou 136 prefeituras, entre elas Lisboa e Porto, enquanto os socialistas (PS) ficaram com 128.
Mesmo somando um número expressivo de vereadores e assembleias locais, o Chega ficou aquém da meta traçada por Ventura.
Em Lisboa, a disputa chegou a depender da recontagem de 60 votos da freguesia de São Domingos de Benfica.
O embate entre Chega e CDU, decidido por diferença mínima, terminou em acusações mútuas de “pressões” no apuramento.
A Comissão Nacional de Eleições reconheceu falhas técnicas em cédulas de voto antecipado, o que alimentou o contencioso e levou comunistas a considerar pedido de recontagem no Tribunal Constitucional.
Nos bastidores, o resultado foi lido como sinal de esgotamento do discurso do “antissistema” que embalou o Chega desde 2019.
O partido manteve visibilidade, mas não construiu base sólida no poder local, elemento essencial para consolidar influência institucional em Portugal.
André Ventura admitiu que “ainda está longe do objetivo de governar o país” e reconheceu que “sem estrutura municipal não há poder nacional”.
A declaração foi interpretada como autocrítica e tentativa de reorganizar o partido antes do próximo ciclo eleitoral.
A derrota do Chega também reflete o desgaste da extrema direita europeia, após picos eleitorais em 2024.
Enquanto siglas radicais na França, Alemanha e Espanha enfrentam estagnação, o caso português mostra que o eleitorado pode rejeitar a retórica do medo quando percebe ausência de resultados concretos nas comunidades.
Para analistas portugueses, a eleição reafirmou o predomínio dos moderados e o retorno à política de proximidade.
“O voto local continua sendo o voto da confiança”, resumiu o cientista político António Costa Pinto, em entrevista ao jornal Público.
A mensagem das urnas é inequívoca: Portugal manteve viva a cultura democrática e rejeitou o extremismo como solução simplista para problemas complexos.
Acompanhe no Blog do Esmael as repercussões desse pleito e as comparações com o cenário brasileiro rumo a 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




