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Curi junta prefeitos da RMC para empurrar Sandro Alex ao Iguaçu

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (Republicanos), entrou na linha de frente da operação palaciana para tentar transformar Sandro Alex (PSD) em candidato competitivo ao governo do Paraná. O ato do PSD em Pinhais, nesta terça-feira (2), mostrou que Ratinho Junior (PSD) decidiu testar a força dos prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) antes que o prazo das convenções aperte.

Sandro Alex foi escolhido por Ratinho Junior como herdeiro do Palácio Iguaçu, mas ainda precisa fazer a candidatura sair do ambiente de governo e chegar ao eleitor. O calendário pesa: as convenções partidárias vão até 5 de agosto, data-limite para o grupo governista saber se o deputado federal decolou ou se virou apenas uma solução provisória.

O encontro em Pinhais reuniu Ratinho Junior, Sandro Alex, Curi, a prefeita Rosa Maria, vereadores, deputados, secretários estaduais e lideranças municipais. O PSD apresentou o ato como parte de uma série regional para consolidar a pré-candidatura de Sandro Alex e reforçar a ideia de continuidade administrativa.

A escolha do local não foi casual. A RMC concentra prefeitos, máquinas municipais, obras estaduais, bases de vereadores e parte decisiva da comunicação política que cerca Curitiba. Para Sandro Alex, aparecer cercado por esse bloco ajuda a preencher uma lacuna das pesquisas: ele tem governo, partido e estrutura, mas ainda busca voto próprio.

Faltou na fotografia política o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que ainda não embarcou publicamente no projeto palaciano de Sandro Alex. O ruído tem nome e sobrenome: Cristina Graeml, hoje no PSD e cotada para ocupar espaço no palanque governista. Em 2024, Pimentel e Graeml travaram um segundo turno duríssimo pela Prefeitura de Curitiba, com ataques, feridas abertas e ressentimentos que ainda pesam no cálculo do prefeito da capital.

As últimas sondagens conhecidas mantêm o senador Sergio Moro (PL) na liderança da disputa pelo Palácio Iguaçu. A segunda faixa aparece mais embolada, com Requião Filho (PDT), Sandro Alex e Rafael Greca (MDB) disputando espaço político e memória eleitoral. Greca, ex-prefeito de Curitiba, tenta ocupar o centro da pista com a marca da capital e com o MDB como veículo.

Curi virou peça central desse arranjo porque fala com prefeitos, deputados e vereadores. Depois de disputar espaço para o governo, aceitou ocupar a pré-candidatura ao Senado no grupo de Ratinho Junior. A fotografia de Pinhais indica que o Palácio Iguaçu quer Curi como operador da costura municipalista, enquanto Sandro Alex tenta assumir a vitrine estadual.

O problema para Ratinho Junior é que prefeito ajuda, mas não transfere sozinho. A força municipal pode organizar palanque, agenda, estrutura e discurso de continuidade. A urna de 2026, porém, vai cobrar de Sandro Alex algo mais simples e mais difícil: ser reconhecido pelo eleitor como possível governador.

A ofensiva do PSD na RMC coincidiu com a crise aberta na direita paranaense após o comício bolsonarista no Tarumã, em Curitiba, na semana passada. O palanque montado na aba de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uniu lavajatistas e bolsonaristas, mas também levou para perto de Moro um passivo que a direita preferia manter fora da foto.

Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como pré-candidato presidencial do PL, mas o caso Dark Horse ainda ronda sua candidatura. Reportagens apontaram que Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria financiado o filme sobre Jair Bolsonaro e que a Polícia Federal cobraria explicações sobre os repasses em eventual colaboração premiada. Flávio Bolsonaro admite ter buscado apoio para o projeto, mas nega irregularidade.

Para Moro, esse é o ponto sensível. O senador construiu carreira política vendendo ao eleitor o fetiche do combate à corrupção. Ao aparecer no mesmo campo de Flávio Bolsonaro, fica obrigado a conviver com perguntas sobre Banco Master, financiamento de filme, influência política e contradições públicas do bolsonarismo.

A crise externa também entrou na conta. A ofensiva de Donald Trump contra produtos brasileiros, com proposta de tarifa de 25%, abriu prazo para manifestações e audiência nos Estados Unidos. Outra frente, ligada a acusações sobre trabalho forçado em cadeias produtivas, ameaça impor tarifa adicional a dezenas de economias, incluindo o Brasil.

O Pix também virou alvo indireto na disputa comercial. O documento do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) cita comércio digital e serviços de pagamento eletrônico entre os temas investigados. No Brasil, a leitura política é clara: Washington mira uma infraestrutura pública de pagamento que concorre com cartões e sistemas privados controlados por gigantes financeiras.

Esse pacote desloca a crise de Flávio Bolsonaro para os estados. No Paraná, Moro, Deltan Dallagnol, Filipe Barros e aliados que dividiram palanque com o filho zero um de Jair Bolsonaro passam a carregar a pergunta incômoda: a aliança com o bolsonarismo ainda soma votos ou começa a cobrar pedágio?

É nesse espaço que Ratinho Junior tenta empurrar Sandro Alex. O governador aposta em gestão, prefeitos e obra pública para construir uma candidatura sem o ruído ideológico que tomou conta da direita. O risco é o eleitor enxergar no deputado apenas o nome escolhido pelo Palácio Iguaçu, não um projeto próprio.

Pinhais foi demonstração de máquina, não prova de voto. Até 5 de agosto, Sandro Alex terá de mostrar se transforma prefeitos em intenção de voto, Curi em tração senatorial e Ratinho Junior em transferência real. A direita, enquanto isso, terá de explicar se Moro continua dono do discurso anticorrupção ou se Flávio Bolsonaro virou a conta que ninguém quer pagar no Paraná.

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