O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta segunda-feira (9) ter alcançado o número mínimo de assinaturas para pedir a instalação de uma CPI no Senado contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, no rastro do caso Banco Master. Segundo ele, já havia 29 apoios até a tarde, acima das 27 assinaturas exigidas para abrir o processo formal de criação da comissão.
Na prática, a oposição tenta transformar o escândalo do Master numa nova frente de desgaste institucional contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento não é apenas jurídico nem regimental. É político, calculado e mira o coração da disputa de narrativa em Brasília, num momento em que o caso já pressiona o Senado, a CPMI do INSS e o próprio Supremo.
Vieira disse que ainda continuará recolhendo apoios antes de protocolar o requerimento, em busca de uma margem de segurança. A cautela faz sentido. No Senado, reunir as 27 assinaturas é só a primeira etapa. Depois disso, o pedido precisa ser lido em plenário e publicado para avançar à fase de indicação dos membros da CPI.
Alessandro Vieira carrega, há anos, a marca de senador lavajatista. Ele ganhou projeção nacional surfando a onda da Operação Lava Jato, adotou discurso de combate à corrupção como eixo de identidade política e, desde então, costuma se posicionar como voz de cobrança sobre Judiciário, Congresso e Executivo. Nesse contexto, a investida contra Moraes e Toffoli também conversa com esse personagem político que ele construiu em Brasília: o de parlamentar que tenta ocupar o espaço da vigilância moral das instituições.
O caso ganhou outra dimensão porque a oposição tenta vender a tese de que a crise deixou de ser apenas bancária e passou a ser institucional. As reportagens sobre mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, alimentaram a ofensiva sobre Moraes e Toffoli e abriram uma janela que a direita quer explorar ao máximo no Senado.
O dado político mais revelador do dia talvez não seja nem o número de assinaturas, mas quem entrou e quando entrou. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, só assinou depois de o requerimento já ter alcançado o piso regimental, numa posição que expõe cautela, cálculo e também a pressão que ele vinha sofrendo no campo bolsonarista para não parecer omisso diante da nova ofensiva contra o STF.
No Paraná, a lista também tem peso. Assinaram Sergio Moro (União), Oriovisto Guimarães (PSDB) e Flávio Arns (PSB), o que mostra que a crise transbordou da bolha bolsonarista e começou a atrair senadores de perfis distintos, unidos menos por afinidade ideológica do que pela oportunidade de enquadrar o Supremo sob holofote político.
Ao mesmo tempo, a escalada não para na CPI. O governador Romeu Zema (Novo-MG) anunciou que protocolaria ainda nesta segunda-feira (9) um pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. Com isso, a oposição amplia a pressão em duas trilhas paralelas, uma de investigação parlamentar e outra de impedimento político, ambas dependentes do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que controla a pauta e o ritmo dessas iniciativas.
É aí que mora o ponto central. A existência de assinaturas não significa instalação automática nem desfecho rápido. Pelo rito do Senado, a CPI precisa de fato determinado, prazo certo e leitura do requerimento em plenário. Depois, cabe à direção da Casa conduzir a tramitação e cobrar a indicação dos integrantes. Sem esse empurrão institucional, o pedido pode virar apenas instrumento de pressão política.
Portanto, o caso Master entrou numa nova fase. Sai do terreno exclusivo das revelações e passa a operar como arma de confronto entre Senado, oposição e Supremo. O que Alessandro Vieira conseguiu nesta segunda-feira não foi apenas uma lista de assinaturas. Foi criar mais um campo de batalha em Brasília, com potencial de contaminar a agenda legislativa, tensionar a sucessão de 2026 e empurrar Davi Alcolumbre para o centro da crise. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




