Trinta e cinco integrantes do Parlamento Europeu aderiram, nesta terça, 7 de julho, a uma carta que pede às federações de futebol da União Europeia (UE) uma iniciativa formal contra o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino. A mobilização desloca o caso Folarin Balogun do resultado da Copa para uma disputa sobre interferência política, neutralidade e responsabilidade na cúpula da entidade.
A carta foi articulada pelos eurodeputados Barry Andrews, da Irlanda, Lara Wolters, dos Países Baixos, e Niels Fuglsang, da Dinamarca. O documento é dirigido às 27 federações nacionais dos países da União Europeia, todas filiadas à Fifa, e pede que elas provoquem o Comitê de Ética da entidade para apurar o processo que permitiu a Balogun enfrentar a Bélgica.
Esse é o mecanismo concreto da ofensiva. O Parlamento Europeu não pode suspender Infantino, anular uma decisão disciplinar nem modificar o resultado da partida. Os eurodeputados tentam convencer entidades com representação dentro da estrutura do futebol a solicitar uma investigação sobre possível violação das regras de neutralidade política.
Até a divulgação da iniciativa, 35 parlamentares haviam assinado a carta. A coleta de adesões permaneceria aberta até as 18 horas da Europa Central de 8 de julho, o que significa que o número ainda poderia mudar. A íntegra do documento não foi localizada pelo Blog do Esmael em uma página oficial do Parlamento Europeu durante a checagem. O conteúdo foi divulgado por declaração conjunta e por veículos que tiveram acesso à carta.
O pedido não representa uma investigação aberta. Também não existe, até 8 de julho, decisão do Comitê de Ética especificamente sobre a liberação de Balogun. A carta funciona como pressão institucional para que as federações europeias apresentem uma provocação formal à Fifa.
Os parlamentares classificaram a mudança aplicada durante a competição como uma “perversão da justiça” e acusaram Infantino de ceder às exigências do governo de Donald Trump. Trata-se de uma acusação política dos signatários, não de uma conclusão já produzida por órgão independente.
Trump reconheceu que telefonou para Infantino e pediu uma revisão do caso, embora tenha negado ter exigido um resultado específico. A Fifa sustenta que a suspensão da punição foi decidida por um comitê disciplinar independente. Infantino também declarou ter informado ao presidente americano que não controlava o julgamento.
A diferença entre as duas versões será o centro de uma eventual apuração. Os eurodeputados querem saber quais contatos ocorreram, quais documentos sustentaram a decisão, quem participou das discussões e se a intervenção presidencial teve algum efeito sobre a aplicação das regras.
O pedido ainda conecta o caso Balogun a outra controvérsia envolvendo Trump. Em dezembro de 2025, a organização FairSquare apresentou uma denúncia à Câmara de Investigação do Comitê de Ética da Fifa contra Infantino, com alegações de violações da neutralidade política e questionamentos sobre a criação e a entrega do chamado Prêmio da Paz da Fifa ao presidente dos Estados Unidos.
Segundo a FairSquare, o artigo 15 do Código de Ética obriga dirigentes do futebol a manter neutralidade nas relações com governos e admite, em tese, proibição de atividades ligadas ao futebol por até dois anos. A existência dessa previsão não significa que Infantino será punido. Antes disso, seria necessário abrir uma investigação, reunir provas, assegurar defesa e produzir uma decisão.
A carta dos eurodeputados tenta acrescentar o episódio Balogun a esse histórico. O risco para Infantino não está no placar de Estados Unidos 1 x 4 Bélgica, que permanece válido, mas na possibilidade de que federações europeias transformem a crítica pública em procedimento dentro da Fifa.
A eliminação americana também não encerra o problema. A credibilidade comercial da Copa depende de patrocinadores, emissoras, seleções, árbitros e torcedores aceitarem que a mesma regra será aplicada independentemente do país, do jogador ou do governante interessado no resultado.
Trump pediu a revisão, Balogun foi autorizado a jogar e os Estados Unidos foram eliminados. A Bélgica fechou a campanha americana. Os 35 eurodeputados mantiveram aberto o problema político de Infantino.
Continue acompanhando no Blog do Esmael a cobertura da Copa do Mundo de 2026, da atuação política de Donald Trump e das decisões da Fifa que ultrapassam as quatro linhas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




